“O IMPERADOR VOLTOU.” Nos últimos dias, essa foi a novidade mais comentada no mundo futebolístico. Não li em lugar algum: “até quando vai durar a VOLTA DO IMPERADOR?” Se pesquisarmos seu histórico, talvez até a próxima carência afetiva ou surto. Vai saber. Sinceramente, para mim, não faz diferença alguma ele voltar, jogar para o Campeão dos Campeões, para o Rubro Negro ou para o time de várzea de Piraporinha. Tanto faz. O acontecimento recente é mais adequado para definir o set list: bandas e cantores consagrados que voltaram à mídia.

01 - Arctic Monkeys - Brick By Brick

Primeiro single de Suck It And See, disco que será lançado em junho. As referências são David Bowie, em início de carreira, e Marc Boland, do T.Rex. A banda não fez esforço algum para divulgar a música, apenas disponibilizou o clipe no site oficial e deixou para os fãs a missão de divulgá-lo no facebook, twitter etc etc etc…

02 - Beady Eye - Wind Up Dream

Banda dos quatro ex-Oasis, sem Noel Gallagher. A grande diferença para a atual é que todos participaram no processo criativo. Algumas músicas de Different Gear, Still Speeding lembram o passado mas não chegam a ser cópia. Ele tem sido meu disco de cabeceira.

03 - Foo Fighters - Rope

Wasting Time foi produzido por Butch Vig, responsável pelo clássico Nevermind, do Nirvana. O lançamento em abril também comemora a volta de Pat Smear na guitarra. The Colour and the Shape, de 1997, foi o último com sua participação.

04 - The Strokes - Metabolism

Depois de cinco anos sem inéditas, quatro projetos paralelos envolvendo seus integrantes, e duas datas de lançamento adiadas, The Strokes volta com Angles. Para a felicidade de nós, fãs, o disco vazou para a internet.

05 - REM - Mine Smell Like Honey

Tanto na aparência como em letras, Mike Stipe envelhece com dignidade em Collapse Into Now. A fase rock’ n’ roll resgatada em Accelerate, de 2008 relembra os anos de Bill Berry, baterista que trocou a rotina de shows pela rural após turne de New Adventures in Hi-Fi, em 1996.

06 - PJ Harvey - The Words That Maketh Murder

As letras de Let England Shake abordam as guerras das quais a Inglaterra participou. Quando PJ Harvey participou de The Andrew Marr Show, exibido pela BBC, o ex-primeiro ministro britânico Gordon Brown era um dos entrevistados. A música apresentada foi The Words That Maketh Murder, o que causou “saia justa.”

“I’ve seen and done things I want to forget
I’ve seen soldiers fall like lumps of meat
blown and shot out beyond belief
arms and legs were in the trees

I’ve seen and done things I want to forget
coming from an unearthly place
longing to see a woman’s face
instead of the words that gather pace
the words that maketh murder

these, these, these are the words
the words that maketh murder
murder…”

07 - Radiohead - Little By Little

Sem aviso prévio, a banda escolheu 19 de fevereiro, sábado, para lançar o oitavo disco de estúdio, mas na sexta-feira ele já estava disponível no site oficial. A justificativa foi: “É sexta-feira. É quase final de semana. É lua cheia. Você pode baixar The King Of Limbs agora se quiser. Obrigado a todos por esperar. Tenham um bom final de semana, onde quer que vocês estejam.”

08 - Gorillaz - Revolving Doors

The Fall, lançado em dezembro de 2010 apenas no formato digital, carrega o título de ser o primeiro disco gravado em iPad. No formato físico ele chegará às lojas em abril. As músicas foram registradas durante a turnê americana da banda.

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dunkin dognuts e hellozilla por ZILEX - use sua camiseta ao máximo
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Lex publica seu podcast às sextas-feiras no Sete Doses

AGUARDE O NOVO SETE DOSES… EM BREVE.

Show Samba pede passagem

Show Samba pede passagem

 

O programa que apresento hoje traz uma boa nova. A partir da semana que vem, sob a nova fase do projeto idealizado por André Toso, o Setedoses  estará de cara nova, com novos parceiros e dizeres.

Mudanças no layout e a adição de novos conteúdos. Aos que escutam esse podcast, espero e quero trazer um conteúdo mais elaborado, com o melhor da música popular brasileira.

Peço a todos que passem por esse post, que comentem com sugestões, reclamações, ideias e causos para tratarmos aqui no áudio.

Além das novidades e melhorias, buscarei recompor programas que no passado ficaram por um fino e vazio conteúdo, ou seja, a cada 15 dias, o Podcast do Grito receberá um novo capítulo em sua história e terá um salto na qualidade do que já foi postado.

Para essa semana, converso com o passado, com a redenção. Um show de sucesso onde O samba pede passagem, idealizado por Sérgio Cabral, juntamente com Oduvaldo Vianna Filho e Armando Costa.

Ouçam esse disco, gravado em 1965 em homenagem a Noel Rosa, com participações mais que especiais de Aracy de Almeida, Ismael Silva, Grupo Mensagem, MPB 4 e muito samba de qualidade.


 

Show Samba Pede Passagem – Aracy de Almeida e Ismael Silva
1 – Polêmica Wilson Batista vs Noel Rosa
Lenço no pescoço (Wilson Batista) canta MPB-4
Deixa de arrastar (Noel Rosa) canta Aracy de Almeida
Mocinho da Vila (Wilson Batista) canta MPB-4
Palpite infeliz (Noel Rosa) canta Aracy de Almeida
Frankstein da Vila (Wilson Batista) canta MPB-4
Feitiço da Vila (Noel Rosa – Vadico) canta Aracy de Almeida
2 – Pout Porri Ismael Silva
Vem Chegando Ismael (Padeirinho – Leléu – Jorge Zagaia – Bidi) cantam Os Partideiros
Eu agradeço (Ismael Silva) canta Ismael Silva
Nem é bom falar (Ismael Silva – Nilton Bastos – Francisco Alves) canta Ismael Silva
Antonico (Ismael Silva) canta MPB-4
Ao romper da aurora (Ismael Silva – Lamartine Babo – Francisco Alves) canta MPB-4
Que será de mim (Ismael Silva – Nilton Bastos – Francisco Alves) canta Ismael Silva
Adeus Adeus (Ismael Silva – Francisco Alves – Noel Rosa) canta MPB-4
Me diga teu nome (Ismael Silva) canta Ismael Silva
Para me livrar do mal (Ismael Silva – Noel Rosa) canta MPB-4
Se você jurar (Ismael Silva – Nilton Bastos – Francisco Alves) cantam Ismael Silva e MPB-4
A razão dá-se a quem tem (Ismael Silva – Noel Rosa – Francisco Alves) cantam Ismael Silva e Aracy de Aracy de Almeida
3 – Três apitos (Noel Rosa) canta Aracy de Almeida
4 – Fita amarela (Noel Rosa) canta Aracy de Almeida
Só pode ser você (Noel Rosa – Vadico) canta Aracy de Almeida
5 – Sonho de Carnaval (Chico Buarque) canta MPB-4
6 – Urubu malandro (Lourival de Carvalho “Louro” – João de Barro) interpreta: Carlos Poyares
7 – Samba do Povo (C – Castilho – A – Costa) canta MPB-4
8 – Homenagem a Velha Guarda (Sivuca) interpreta: Carlos Poyares
9 – Brincadeira de Angola (Sergio Ricardo – Francisco de Assis) canta MPB-4
10 – Arquitetura de pobre (Edgar Barbosa – Joacyr Santana) canta Conjunto

Fernando Macedo publica seu podcast às segundas-feiras para o Sete Doses

- Com a minha mãe eu gosto de mexer também. Nós somos 5 irmãos, né? Aí às vezes eu pergunto pra ela - de sacanagem, né? - na frente de todo mundo: mamãe, você não tem vontade de ir pra um asilo? A senhora deve tá de saco cheio da gente. Eu conheço um lugar muito bom, a senhora fica tranqüila, pode descansar em paz, com um monte de gente pra olhar por você o tempo todo.

- Coitadinha, ela sempre diz que, por ela, não tem problema, que tudo bem. Rapaz, os meus irmãos brigam muito comigo. Imagina, seu desalmado! Fazer isso com a mamãe! Mesmo velhinha do jeito que tá, não dá trabalho pra ninguém! Tá lúcida, boazinha, com 83 anos!

- E eu sou o mais velho, né? O único que já tem mais de 60. Eu respondo sempre: olha! Fala com respeito comigo, que eu já sou idoso! Ué, daqui a pouco eu vou estar velhinho também. Eu mesmo acho uma boa idéia me colocarem num asilo.

- Claro que é só brincadeira. Fui eu que criei a divisão pra todo mundo cuidar da mamãe, depois que ela começou a precisar de mais atenção. Uma irmã nossa tava desempregada, né? Então eu reuni a família e a gente combinou de os outros irmãos pagarem um salário mínimo pra ela ficar com a mamãe durante a semana. E, nos finais de semana, os outros revezam. Cada vez a mamãe fica na casa de um. Dá certinho um mês pra ver todo mundo.

- Assim que a gente terminou de acertar essa divisão eu disse que as visitas de fim de semana iam ser muito boas para a mamãe. Assim ela podia limpar a casa, cozinhar, lavar roupa, passar. Eu disse que trabalho não ia faltar, e ela se sentia bem fazendo alguma coisa. Ah, meus irmãos foram logo ralhando comigo de novo! Imagina, botar a mamãe, com 83 anos, pra bater roupa no tanque, servir de faxineira! Lógico que é brincadeira. Em casa às vezes ela cozinha alguma coisa, varre o chão, mas é só porque ela pede, pra se sentir útil mesmo. Eu não deixo ela fazer nada pesado.

- Lá em casa eu também conto historinha pra ela. Sempre história com mãe ou avó. Ela fica brava que só. Eu começo logo assim, todo com jeitinho, falando que nem criança mesmo: mamãe, vou começar a historinha de hoje, tá? A vovó foi levar o netinho Joãozinho no zoológico. Eles foram ver o casal de macaquinhos, o casal de girafas, um monte de bichos. Até chegarem no casal de tigres. E o tigre tava lá, né, em cima da tigresa. A vovó, quando percebeu, tapou logo os olhos do menino e saiu de lá. Mas claro que o Joãozinho perguntou o que é que os dois tavam fazendo. A vovó explicou que a tigresa colocou o tigre em cima das costas pra ajudar ele, que ele tinha machucado a pata. Aí o menino respondeu: ah vovó, bem que o papai tava reclamando outro dia que quem tenta ajudar os outros só toma no cú!

- Ah, aí a mamãe fica doida! Ah, seu safado, boca suja! Não tem vergonha de ficar falando essas coisas pra sua mãe, seu desgraçado? Você vai é pro inferno!

- E o mais legal é que a mamãe sempre presta atenção, fica toda séria quando eu começo a contar as minhas historinhas. Ah, porque umas eu conto a sério também, né?

- Com ela em casa eu fico todo dengozinho. Falo com voz de criança: mamãezinha, você qué um suquinho, um lanchinho, qué? Ela fica uma arara! Eu to velha, mas não sou retardada! Para de falar assim comigo!

- Eu falo que é jeito de mostrar carinho, e que quando eu ficar bem velhinho eu quero ser bem paparicado. Mas não tem jeito, ela não gosta. Ela responde brava: você é você! Deixa é os teus filhos te tratarem que nem retardado!

- Uma coisa que ela gosta é quando eu levo ela pra fora, no quintal, que eu tive uma idéia muito boa. Ela é toda corcundinha, porque a espinha dela secou, né? Não consegue mais olhar nem pra frente quase. E fazia um tempão que a mamãe não podia ver o céu. Então eu dei um espelhinho, desses de barbeiro, pra refletir as coisas que tem por cima.  Assim ela fica sentadinha no banco do quintal, vendo o céu todinho. Ah, com isso ela fica feliz demais comigo!

André Esposito Roston escreve para o Sete Doses às segundas-feiras.

Passados meses de ostracismo e espera, o novo Sete Doses vem ao ar esta semana. Trabalhos inéditos de quinze em quinze dias, religiosamente, sem falta. Pela graça de Lex, não furarei jamais.

Bem-vindo, pessoal novo.

Força, pessoal velho.

Yuri Machado publicou tiras no Sete Doses por um ano e meio, depois desanimou por alguns meses e volta a desenhar para André Toso no novo projeto.

 

O psicanalista Hélio Pellegrino (1924-1988)

Hélio Pellegrino, talvez o brasileiro mais libertário do século XX, foi múltiplo, genial e com uma coragem inacreditável. Neste último post antes do lançamento do novo Sete Doses, homenageio o homem que me inspirou a criar o site e me inspira todos os dias a continuar.

Poeta, político, meio anarquista, meio comunista, católico da teologia da libertação, escritor, batalhador, psiquiatra e, acima de tudo, psicanalista, Hélio Pellegrino lutou contra a ditadura e o conservadorismo, foi preso, torturado e criou as Clínicas Sociais na Sociedade de Psicanálise do Rio de Janeiro. A ideia dele: que todo psicanalista reservasse duas horas de sua semana para atender de graça ao povo pobre. Pouco depois, ao denunciar o conservadorismo de psicanalistas brasileiros envolvidos com o regime militar, foi expulso da Sociedade. A Clínica Social que ele criara acabou exatamente no dia em que ele morreu de infarto. Mesmo dia também em que Sarney, a quem ele nutria uma oposição absoluta, foi nomeado presidente do País. Foi demais para o coração brigador dele.

Para quem acha que ele saiu derrotado, engana-se. Mais de duas décadas depois, a partir de agosto de 2011, devo começar a atender na Clínica Social da Sociedade Paulista de Psicanálise. Pouca gente sabe, mas ela existe  muito graças a esse mineiro fantástico, amigo íntimo e parceiro de Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende. Ele plantou essa semente tão importante, sofreu as conseqüências, mas ela cresceu e se espalhou. Hoje, porém, muitas das sociedades de psicanálise brasileiras possuem clínicas sociais que atendem por preços simbólicos. Abrir o consultório da psicanálise ao povo era o objetivo de Hélio e deve ser o objetivo de qualquer psicanalista, inclusive o meu.

A importância de Hélio para a redemocratização do Brasil e para a psicanálise é inestimável. Essa homenagem – meio sem conteúdo, puramente sincera – busca relembrar  a figura de um homem esquecido por muitos, mas imortal para a recente história do Brasil. É de pessoas corajosas como ele que o mundo precisa para amadurecer. Coloco, primeiro, um pequeno poema dele  (lindo, lindo) e, em seguida, uma breve entrevista comandada por Clarice Lispector.

VALSA DO ADEUS

Tudo é partida de navio, velas
ao vento, coisas desancoradas
que se desgarram. Este copo, esta pedra
que pronuncio não são palavras, nem
versos de amor, nem o sopro
vivificante do espírito. São barcos
arrastados pelo tempo, cascas
de fruta na enxurrada, lenços
de adeus, enquanto o vapor se afasta,
e de longe ilumina essa ausência que somos.

Um homem chamado Hélio Pellegrino

(Entrevista com Clarice Lispector)

Clarice – Diga qual é a sua fórmula de vida. Eu queria imitar.

Hélio – Há, no Diário íntimo de Kafka, um pequeno trecho ao qual gostaria de permanecer para sempre fiel, fazendo dele a minha fórmula de vida: “Há dois pecados humanos capitais dos quais todos os outros decorrem: a impaciência e a preguiça. Por causa de sua impaciência, foi o homem expulso do paraíso. Por causa de sua preguiça, não retornou a ele. Talvez não exista senão um pecado capital, a impaciência. Por causa da impaciência, foi o homem expulso, por causa dela não consegue voltar. Tenhamos paciência – uma longa, interminável paciência – e tudo nos será dado por acréscimo”

Clarice – Por que você escreve esporadicamente e não assume de uma vez por todas o seu papel de escritor e criador?

Hélio - Poderia driblar essa pergunta, respondendo com uma meia-verdade – escrevo menos esporadicamente do que publico. Mas esta seria uma saída falsa, e não quero ser falso. Escrever e criar constituem, para mim, uma experiência radical de nascimento. A gente, no fundo, tem medo de nascer, pois nascer é saber-se vivo e – como tal – exposto à morte. Escrevo mais do devo para – quem sabe? – manter a ilusão de que tenho um tempo longo pela frente. A meu favor, posso dizer a você que, com frequência, agarro-me pelas orelhas e me ponho ao trabalho. Há umas coisas valiosas nas quais acredito, com muita força. Preciso dizê-las e vou dizê-las.

Clarice – Hélio, diga-me agora, qual é a coisa mais importante do mundo?

Hélio - A coisa mais importante do mundo é a possibilidade de ser-com-o-outro, na calma e intensa mutalidade do amor. O Outro é o que importa, antes e acima de tudo. Por mediação dele. Na medida em que o recebo em sua graça, conquisto para a mim a graça de existir. É esta fonte da verdadeira generosidade e do entusiasmo – Deus comigo. O amor genuíno ao Outro me leva à intuição do todo e me compele à luta pela justiça e pela transformação do mundo.

Clarice – Que é amor?

Hélio - Amor é surpresa, susto esplêndido – descoberta do mundo. Amor é dom, demasia, presente. Dou-me ao Outro e, aberto à sua alteridade, por mediação dele, recebo dele o dom de mim, a graça de existir, por ter-me dado.

Clarice – Helio, você é analista e me conhece. Diga-me sem elogios – quem sou eu, já que você me disse quem é você…

Hélio - Você, Clarice, é uma pessoa com uma dramática vocação de integridade e totalidade. Você busca, apaixonadamente, o seu self… e esta tarefa a consome e faz sofrer. Você procura casar, dentro de você, luz e sombra, dia e noite, sol e lua…

*Fragmentos transcritos do livro “De corpo inteiro” , Clarice Lispector, Ed.Rocco, 1999, págs 54, 55.

André Toso escreve aos domingos para o Sete Doses graças à pessoas como Hélio Pellegrino

 

 

Eu preciso escrever, já faz 15 dias. De tempos em tempos eu esqueço quem sou e começo a viver outra vida. Esqueço quem você é pra mim e viro outra pessoa. Mudo o jeito do cabelo, faço uma tatuagem, canto músicas diferentes. Aí você volta e dorme ao meu lado sabendo que eu não estou lá, e descansa o sono dos justos com a mulher traída.

 

Ana Luiza Ponciano escreve aos sábados no Sete Doses e está concorrendo a um Macbook Air, pela Saraiva. Se vc,  leitor amado, quiser ajudar tudo o que precisa fazer é curtir primeiro a Saraiva em:

http://www.facebook.com/pages/Saraiva-Online-Oficial/194839529381
e

depois minha foto em:
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Libertadores, Rogério Ceni e São Paulo foram termos praticamente inseparáveis nos últimos dez anos. Tanto que o goleiro causou polêmica em 2008 ao declarar, durante um momento de crise do clube do Morumbi no Campeonato Brasileiro, que não se via jogando em Macapá, pela Copa do Brasil, mas em Maracaibo, pela competição continental.

Em 2010, em uma mera coincidência (talvez causa pelo destino, para quem acredita), Rogério Ceni alcançou mais uma das suas expressivas marcas históricas pelo São Paulo logo em uma partida da Libertadores. E em uma daquelas decisivas, em que mais de 40 mil torcedores encheram o Estádio do Morumbi.

Após empate modorrento no Peru por 0 a 0, o São Paulo voltou ao seu estádio para tentar avançar às quartas de final da Libertadores contra o Universitário precisando apenas de uma vitória simples. O encontro, sempre especial para o são-paulino por envolver a competição continental, era ainda mais importante para Rogério Ceni, que completou naquela noite de terça-feira 900 jogos pelo clube.

O roteiro óbvio indicava classificação fácil com festa para o goleiro, mas saiu do controle. Duas bolas pararam na trave, outras no peruano Llontop e algumas na fase ruim do São Paulo, que se somaram aos erros do técnico Ricardo Gomes. E um novo 0 a 0 levou a disputa para os pênaltis.

O São Paulo ficou sob enorme risco de eliminação quando Rogério Ceni desperdiçou a sua cobrança. Mas o goleiro se reabilitou. Defendeu dois pênaltis, classificou seu time para as quartas de final da Libertadores e mostrou, mais uma vez, que o ídolo são-paulino não tem perfil de vilão no Morumbi.

 

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

 

* Matéria publicada originalmente no dia 24 de fevereiro, no Caderno2, do jornal O Estado de S. Paulo

No aparador da sala da casa dele, uma foto curiosa. Um menino de 2 anos escalando uma estante, segurando-se com a boca a fim de deixar as duas mãos livres para, com elas, poder fuçar em uma vitrola. Influenciado principalmente pelo pai – um aficionado por discos, instrumentos e equipamentos sonoros, e com quem ele mantém um estúdio desde 1997 -, aquele garotinho, que hoje atende pelo nome de Daniel Ganjaman e há tempos trabalha com importantes nomes da música nacional, é um dos produtores mais requisitados do País e promete para este ano pelo menos três discos que, como ele mesmo define, “devem fazer barulho”.

Sonhando com o tempo que lhe falta para trabalhar em um disco seu, autoral, Ganjaman também ataca de DJ e organiza há quase seis anos a festa Seleta Coletiva, no Studio SP, onde se apresentou ontem tocando teclado com o Instituto e convidados como Emicida e Kamau.

Considerando-se muito mais produtor do que instrumentista, na praia do rock, ele se debruça atualmente quase que o dia inteiro para terminar de mixar Alegria Compartilhada, o próximo CD da banda carioca Forfun. Na seara do rap, em abril sai o disco de Criolo (também conhecido como Criolo Doido e que, assim como Emicida e Kamau, despontou nas rinhas de MC”s esmerilhando seus concorrentes com rimas de improviso pulverizantes), produzido em parceria com o baixista Marcelo Cabral, e cujas faixas Grajauex e Subirusdoistiozin já foram apresentadas na internet.

Além disso, ainda em 2011, sem data de lançamento, deve sair um disco póstumo de Sabotage, também produzido por Ganjaman. Em 2003, o rapper convidou o produtor para trabalhar em um álbum de inéditas. Exatamente uma semana depois, Sabotage foi assassinado. Passados alguns anos, Ganjaman trabalhou em cima das músicas e coletou mais material gravado pelo compositor, resultando em 14 faixas. “Nós, do Instituto, estamos trabalhando com os principais parceiros dele e com alguns familiares pra que esse disco seja uma representação digna de todo legado que ele deixou. Não temos data prevista para o lançamento. Já adiamos uns três ou quatro anos e estamos fazendo todo esforço para que este ano seja realmente lançado.”

Aos 32 anos, Ganjaman ainda se veste como um skatista, com as roupas largas e os bonés que identificam a tribo. Embora não ande mais sobre a tábua de madeira com quatro rodinhas, ele atribui ao skate e ao convívio com amigos na época de adolescente um dos pontos determinantes em sua vida para expandir horizontes musicais.

Em uma divisão nada maniqueísta, do pai herdou o gosto pelo rock – e por equipamentos de áudio de qualidade – e da mãe, o interesse por música brasileira, como Milton Nascimento, Elis Regina e Jorge Ben. Pequeno, conhecia uma barbaridade de músicas e com apenas 7 anos vibrava em Iron Maiden, julgando-se um “minimetaleiro”.

Depois disso, veio a adolescência, com forte referência dos amigos. “A gente, com o skate, tinha essa coisa do punk, com uma pesquisa grande. Conheci Beastie Boys, que foi uma abertura de leque, e comecei a ir atrás de uma série de outras coisas, como Sly & The Family Stone, Parliament-Funkadelic, conheci Public Enemy por causa do Anthrax… O skate foi um dos grandes responsáveis por eu começar a me interessar por rap, hip-hop e outros gêneros”, diz Daniel Sanches Takara, que ganhou o apelido aos 16 anos, com o vinil de um de seus “papas”, Lee Perry. “A primeira música do lado A chamava-se Daniel e a do lado B, The Ganja Man. Acabou pegando”.

Na mesma esteira, ainda nos anos 1990, as epifanias musicais se apresentaram para o moleque com o primeiro disco dos Racionais MC”s, M.T. Bronks, Thaíde, Pop Will Eat Itself, Depeche Mode, Nine Inch Nails, Ministry e uma série de descobertas que seriam amplificadas com idas de Ganjaman ao exterior.

Pavimentando caminho.
Em 1997, ao lado do pai, Ganjaman abriu o estúdio El Rocha, onde deu os primeiros passos como produtor. Dali não demoraria muito para, a convite do craque Apollo 9, começar a tocar e a fazer a direção musical da banda do cantor, compositor e percussionista Otto, caindo em turnê na divulgação do primeiro disco do pernambucano, Samba pra Burro, em importantes festivais, como o Central Park Summerstage, em Nova York.

No começo de 2000, em contato com o produtor David Corcos, o guitarrista Rafael e o DJ Zé Gonzales, gravou, compôs e ajudou a finalizar o último álbum de estúdio do Planet Hemp, A Invasão do Sagaz Homem Fumaça, saindo em excursão com o grupo. “Quando a gente lançou, já saiu como disco de ouro, 100 mil cópias. Naquela época, já eram os últimos suspiros da indústria fonográfica da forma que se conhecia. Hoje você vê artistas grandes, ícones da música brasileira, vendendo 20 mil cópias. Eu já produzi discos para majors e sei que a forma de se produzir música mudou, alguns se beneficiaram, outros se deram bem mal”, diz Ganjaman.

Dali em diante, ele seguiu colecionando trabalhos importantes, produzindo o disco O Rap É Compromisso, de Sabotage (ao lado de Zé Gonzales), gravando e assinando a produção técnica de Nada Como Um Dia Após o Outro Dia, dos Racionais, seis faixas do disco homônimo da Nação Zumbi, e Guerreiro e Guerreira, de Helião e Negra Li.

Além de tudo isso, desde os 15 anos organizando eventos na noite paulistana, na época com as mínimas condições de estrutura – o que rendeu muita experiência para que Ganjaman pudesse hoje comemorar quase seis anos como responsável pela festa Seleta Coletiva. Ali, ele se apresenta com o Instituto, criado em 2001 pela parceria com Rica Amabis e Tejo. Foi com eles que o produtor teve também a oportunidade de rodar a Europa em renomados festivais, como Sonar, em Barcelona, e Roskilde, na Dinamarca, e ter acesso a discos que jamais encontraria em sebos brasileiros.

“A primeira vez que fui para a Europa, gastei US$ 1.500 em discos. Antes de ir, pesquisava quais eram as lojas legais e fazia uma via-sacra por elas.”

A soma desses contatos com artistas de diferentes vertentes musicais com essa peregrinação por lojas de discos (hoje Ganjaman tem mais de 3 mil vinis, indo de raridades de Lee Perry, passando por Funkadelic, e chegando a Serge Gainsbourg) fez com que ele abrisse a cabeça e se tornasse uma espécie de camaleão, no melhor sentido da palavra, trabalhando com nomes com os quais mais se identifica na cena independente nacional.

 

Lucas Nobile escreve às sextas-feiras para o Sete Doses

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