Havia um tempo em que provocações e promessas no futebol eram encaradas com naturalidade. É provável que hoje as afirmações de Romário antes da Copa do Mundo de 1994 provocassem a ira e até declarações de guerra de 23 países, revoltados com a promessa do Baixinho de levar a taça novamente para o Brasil, após longos 24 anos.

Não foi isso o que aconteceu em 1994, já que não havia tanta beligerância. E, principalmente, porque era bom não duvidar de um atacante que trocava gols contra o Real Madrid por folgas e viagens ao Rio de Janeiro.

Foi sob esse clima que o Brasil estreou no Mundial de 1994. Cruel para alguns, o destino reservou o primeiro jogo para um reencontro com a Rússia. O primeiro rival já não era mais a União Soviética, por culpa da carestia e de Gorbatchev, mas pouco importava.

O adversário que havia feito o menino Romário, então grande promessa do Vasco, chorar na final dos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, estava à sua frente. E dessa vez não haveria espaço para a decepção do melhor jogador do mundo.

Depois de criar duas chances e desperdiçá-las, Romário abriu o placar para o Brasil na clássica “dá um metro para ele pra ver o que acontece”. Infernal, continuaria controlando o jogo, sofreria um pênalti, convertido por Raí. A vitória na estreia, com auxílio luxuoso de Jorginho e Bebeto, mas sem muito brilho coletivo, estava garantida e o recado estava dado. A Copa dos Estados Unidos tinha um dono. Definitivamente, as declarações não haviam sido uma falácia, mas apenas um aviso do que estaria por vir.

Leandro Augusto publica vídeos esportivos históricos aos sábados no Sete Doses.

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