O país do basquete precisou de oito longos anos para deixar a empáfia e o exibicionismo de lado e entrar em quadra apenas com o intuito de vencer, sabendo muito bem da importância e do valor de uma conquista olímpica.  O termo Dream Team estava esquecido nos Jogos Olímpicos de Pequim e os norte-americanos só falavam no “time da redenção”, pronto para apagar as derrotas nos Mundiais de 2002 e 2006 e o fiasco da Olimpíada de 2004.

Para isso, os Estados Unidos apostaram no técnico universitário Mike Krzyzewsk, que, preocupado em adaptar o time a marcação por zona, deixou o jogo baseado em pivôs de lado e apostou em jogadores rápidos e bons arremessadores, como Kobe Bryant e Chris Paul.

Para alcançar a medalha de ouro e recuperar a hegemonia do basquete mundial, a seleção norte-americana fez campanha impecável. Na final, precisou passar por um adversário forte, técnico e que não se entregou, em um dos maiores confrontos da história do basquete. Os Estados Unidos venceram a Espanha por 118 a 107, em uma partida muito mais complicada do que a vista na fase de grupos, quando o triunfo sobre os campeões mundiais foi por 119 a 82.

Um jogo tenso, com excesso de trombadas, tapas e uma arbitragem pouco atuante, mas que não manchou o resultado final. Uma tensão natural diante do que representava um confronto entre Estados Unidos e Espanha, a atual campeã mundial. Sempre atrás do placar, o time europeu jamais deu refresco e tratou sempre de manter uma distância pequena e reversível, graças aos seus armadores velozes e inteligentes. Porém, sucumbiu diante do vigor físico, dos contra-ataques e do desejo norte-americano de reconquistar o prestígio internacional.

No início do quarto final, a virada espanhola quase se concretizou. A diferença caiu para apenas dois pontos quando Paul Gasol completou uma ponte aérea e Rudy Fernandez fez uma cesta de três. Mas foi a hora de Kobe Bryant assumir o confronto. Com apenas sete pontos marcados nos três primeiros quartos, ele anotou 13 no quarto decisivo e sacramentou a reconquista norte-americana. Cumpriu a promessa de só voltar aos Estados Unidos com a medalha de ouro e confirmou que os reis do basquete estavam de volta. E, melhor, sempre atento pela existência de um coadjuvante pronto para roubar o cetro no primeiro cochilo. Em Pequim, porém, não existiu.

Leandro Augusto publica vídeos esportivos históricos aos sábados no Sete Doses.

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