1. “Feliz é o destino da inocente vestal/ Esquecida pelo mundo que ela esqueceu/ Brilho eterno da mente sem lembrança!”.

2. “Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos”.

3. “I wanna be forgotten, and I don’t wanna be reminded. You say “please, don’t make this harder.” No, I won’t yet.

4. “O mito do eterno retorno nos diz, por negação, que a vida que vai desaparecer de uma vez por todas, e que não mais voltará, é semelhante a uma sombra, que ela é sem peso, que está morta desde hoje, e que, por mais atroz, mais bela, mais esplêndida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor, não têm menor sentido.”

5. Os post its não eram mais eficientes
Cada vez que os grudava pela casa
Eles me lembravam do que eu queria esquecer (ALP)

O sorriso tem sido falso. Falta algo, falta o outro. Um sorriso só não tem graça. Precisa do outro, senão não tem graça. O sorriso ansioso pelo dia, que será ensolarado, sei que será, o dia da volta, a volta dele.

Aventureiro amor, que não sabe nem andar de bicicleta direito, mas quer ser aventureiro. Quer tentar a vida como Camões, mas tem medo de que seus versos se afoguem pelos mares. Prefere viver como Pessoa, cravado na realidade, cravado em terras firmes ou viajando em céus com estrelas e borboletas. A realidade é sempre melhor mesmo. Por mais que Bukoviski tente provar o contrário.

A nossa realidade é tão fantasiosa como Buñuel, tão simples como os amores de Vinicius de Moraes, tão lírica quanto Neruda e seus amores (im)possíveis. Mario de Andrade nos invejaria, mesmo em seus maiores devaneios, gostaria de ter escrito algo assim, tão alucinógeno e imaculado quanto um tal garoto preguiçoso. Surreal até mais que Dali e suas telas de duplo, triplo sentido.

Mais alto e profundo até que o grito do garoto holandês Münch, pobre garoto que tinha céus de lavras de vulcão. Mais enigmático que Monalisa e com toda aquela dor de Bergman. Se Kubrik pensasse em algo assim, tudo isso aconteceria em 2040 com espelhos no teto e armários de azulejo.

Tão firme e utópico até que o Manifesto Comunista ficaria no chão. Ai se Marx sonhasse que podia existir um amor desses. Tão doce e dramático como Shakespeare. Os Capuletos não são de nada. E não é que ninguém entende. Mas nós sabemos. Só nós sabemos. Até Tarantino e seu sangue não conseguem capturar a intensidade de nossos dias. E olha, que passar um dia dentro de um filme do moçoilo não deve ser nada fácil. Mas garanto que passar um dia longe dos nossos filmes tem sido cada vez mais difícil.

 

Ana Luiza Ponciano  tenta escrever textos inéditos quando não chega em casa tão tarde aos sábados, o que não foi o caso…

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