Desta semana em diante, este espaço faz uma curva e segue por um outro caminho… Como a imagem já é muito bem representada aqui pelas fotos do Rocha, as ilustrações do Ziegler, os quadrinhos do Yuri, além de todos os outros colunistas que usam vídeos e fotografias em seus postas, decidi, após uma conversa com nosso editor chefe, André Toso, me concentrar em algo que já estava fazendo há algum tempo e focar este espaço nesta coisa que não se consegue explicar mas que nos hospeda: a internet.

Por um simples motivo: passo mais tempo online que offline, e a maior parte do meu tempo na internet é fazendo outras coisas que não ver/editar/produzir imagens. Então espero que as dicas e discussões postas aqui sejam úteis e agrados de vossas mercês.

Internet é colaboração. O grande lema da “web 2.0” – termo que já nasceu morto – já foi incorporado pelo usuário comum, mesmo sem saber. O Sete Doses nasceu de uma ideia, que depois foi comunicada – na chuva, em uma fila – a outras duas pessoas, que foram à caça de outros colaboradores. A ideia virou três, os três viraram sete e estes sete os 14 que integram nosso elenco.

Mesmo sem perceber, as coisas vão acontecendo assim. Outras pessoas veem e comentam o que a gente escreve, e assim o mundo gira e a lusitana roda, naturalmente. Umas pessoas já sacaram que isso é um processo sem volta, como o advogado americano Lawrence Lessig, criador do Creative Commons e autor do excelente Free Culture (disponível para download em inglês aqui e em português aqui), que recentemente lançou o não menos excelente Remix (também disponível para download de forma legal aqui), que fala justamente dessa coisa. A propriedade em tempos em que as coisas são construídas de forma coletiva é algo a ser discutido, e esse é um dos assuntos que trataremos aqui ao longo do tempo.

E esse lance de colaboração tem muito a ver com a dica da semana, de um site muito bacana, descoberto por acaso recentemente, o KickStarter. Quem nunca teve uma boa ideia na vida e desistiu por falta de grana?

O que este site faz é tentar resolver o problema de uma forma justa e criativa.:

kickstarter

Você tem uma boa ideia. Cria lá uma página, explicando a sua ideia, de preferência com um vídeo, para ficar uma coisa mais pessoal. Aí você escolhe valores para as pessoas doarem, e o que você dará de recompensa para elas, por elas financiarem a sua idéia (sim, porque se não fica parecendo uma esmola virtual).

Por exemplo, um artista está tentando gravar um disco. Se você doar US$ 5, ganha o link para download. Doando US$ 10, ganha uma cópia quando ele ficar pronto, na sua casa. Com US$ 25, ganha o CD e uma entrada para um show, e por aí vai… Há projetos dos mais diversos. Desde artistas gravando discos, até um paraplégico que quer escalar uma montanha, a um grupo teatral que precisa de grana para trazer os equipamentos de volta do exterior após um calote de patrocinador, entre muitas outras coisas. E também não precisa ser para algum fim nobre. Se você souber vender a ideia de que precisa de dinheiro para tomar uma cerveja em cada bar de São Paulo e  ela colar, sorte sua.

Ninguém que eu conheço doaria do nada um dinheiro para algum artista estrangeiro só pela boa ação.

O que o Kickstarter faz é criar um laço, um compromisso entre quem está pedindo e quem está doando, com uma garantia: o seu dinheiro só é doado se o cara conseguir a quantia que ele pediu inicialmente para o projeto. Se conseguir mais, sorte dele, sinal de que a ideia é boa, mas se não atingir a meta inicial, ninguém gasta, ninguém recebe e a amizade continua.

Por que não temos algo assim em português, que desse para participar sem ter que usar um cartão de crédito internacional?

Thiago Kaczuroski escreve às quartas-feiras para o Sete Doses e agora tenta dividir seu escasso tempo com mais um projeto, o blog UnsLivros.com.

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