ELISPELÉ

 

Imagine Salvador Dalí como empacotador de um supermercado. Sophia Loren como vendedora de churros. Mohamed Ali como regente da Filarmônica de Berlim. Ary Toledo como presidente dos Estados Unidos. Mallu Magalhães como reitora de Harvard. Chet Baker como amolador de facas Ginsu. Derci Gonçalves como superintendente do Vaticano. Hermeto Pascoal como piloto de Fórmula 1. Rita Hayworth como mulher-barbada do Circo Garcia. Roberto Carlos como corredor dos 100 metros em Londres-2012. Pina Bausch como atendente de telemarketing do Speedy. Nelson Ned como pivô de basquete. Greta Garbo como caminhoneira. Pixinguinha como cabeleireiro. Tarsila do Amaral como garçonete no Texas. Frank Sinatra como garimpeiro em Serra Pelada. José Serra como vendedor de charutos em Havana. Ella Fitzgerald como bailarina do Bolshoi. George Michael como desafiante no Ultimate Fight. Fernanda Montenegro como despachante. Oswaldo Montenegro como centroavante do Real Madrid. Tonia Carrero como domadora de leões. Beto Carrero como protagonista de Laranja Mecânica. Aretha Franklin como carimbadora do arquivo do Poupatempo. Paulo Autran como tocador de realejo. Aracy de Almeida como representante brasileira no Miss Mundo. Bruce Lee como confeiteiro. Elis Regina como atacante do Santos. Pelé como cantor e compositor.

Ainda bem que tudo não passou de uma grande brincadeira. Ou não?

 

Lucas Nobile escreve às sextas-feiras para o Sete Doses e concorda com o gênio Romário. Se, em relação a declarações esdrúxulas, Pelé calado já era um poeta, imagine cantando.

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