Em 1969, a seleção brasileira foi a principal atração da festa de quatro anos do Mineirão. “As Feras de Saldanha” foram convidadas para participar de uma  rodada dupla no principal estádio do futebol mineiro no dia 3 de setembro. Na preliminar, o Cruzeiro venceu o América por 3 a 1.

Ao Atlético restou a honra e responsabilidade de enfrentar a seleção brasileira. Três dias antes, o time de Saldanha havia vencido o Paraguai por 1 a 0, em partida com o maior público da história do Maracanã, e se classificado para a Copa do Mundo de 1970. O sonho do tricampeonato mundial, interrompido pela desorganização, por Portugal e Eusébio em 1966, estava novamente vivo (e o título viria, com uma escalação parecida d que enfrentou o Atlético, mas sob o comando de Zagallo).

Ainda sob efeito da classificação para o Mundial, o Brasil entrou em campo para defender uma invencibilidade de 19 partidas. Nem por isso, o Atlético se apequenou e, mesmo na véspera do amistoso fez questão de mostrar quem mandava no Mineirão, como comprova uma manchete do jornal Estado de Minas: “Yustrich [técnico do Atlético] diz que as feras ainda são mansas”.

E a raça atleticana, característica essencial das equipes vencedoras do Galo, prevaleceu, em mais um caso de superação da equipe. As Feras de Saldanha foram dominadas e neutralizadas por um time que começava a reassumir as rédeas do futebol mineiro. Foi assim, que saiu em vantagem no final do primeiro tempo com Amauri. Pelé, impedido, ainda empatou o confronto no início da etapa final.

Mas Dario, em um chute forte e de primeira, deu a vitória ao Galo aos 19 minutos do segundo tempo. Com isso, Dadá confirmava ter condições de ser o camisa 9 de um time da grandeza do Atlético e de que teria condições de liderar a equipe nas conquistas dos anos seguintes, como no Campeonato Mineiro de 1970 e no Brasileirão de 1971. O gol também foi um empurrão importante para sua convocação para a Copa do Mundo de 1970.

Apesar de um mero amistoso, o Atlético entrou para história como única equipe (incluindo seleções) a derrota o Brasil campeão mundial de 1970, apontada como maior seleção da história do futebol. E, coincidência ou não, a CBD, e posteriormente a CBF, passou a evitar a realiação de amistosos contra clubes brasileiros.

Leandro Augusto publica vídeos esportivos históricos aos sábados no Sete Doses.

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