Ele se explica:

 

“A menina me pergunta se eu morri, mas eu tô vivinho

É por isto que eu escrevo essas linhas, ao sabor do vinho! 

  

Nunca quis te deixar sem resposta, assim de repente

Acontece que eu fiquei com dor de barriga e dor de dente.

 

Acho mesmo que eu preciso ir à clínica do Dr. Castanho

Acho que preciso tomar remédio. Ser um pouco mais estranho.

 

Mas será que ela vai continuar querendo me ter como amigo?

Preciso te perguntar uma coisa: você, quer casar comigo?”

 

Ela provoca:

 

“Como vou casar com um menino que não finaliza um assunto?
Vou ter de ficar esperando eternamente? Não dá! Sinto muito.


Que patético! Que péssimo ator! Dor de barriga dor de dente?
Por acaso os seus dedos também estavam doentes?


Como vou poder contar com meu marido?
Como vou confiar no seu abrigo?


Prefiro ficar solteira e cheia de filhos em minha casa…
Feliz estarei com todos debaixo da minha asa…”

 

 

Ele tenta de novo:

 

“Debaixo da sua asa? Não sabia que você era galinha!

Menina, eu tô na sua. Eu te pergunto: você tá na minha?

 

Se você estiver na minha, eu prometo de pé junto

Que a partir de hoje eu vou finalizar todo assunto!

 

Vou sempre te escrever, sempre você vai poder falar comigo!

Meu sonho é que nossa linda casa seja o nosso lindo abrigo!

 

Além de tudo, você é muito especial pra ficar solteira!

Casa comigo, vai? Não quero que seja de outra maneira…”

 

 

Ela é direta:

 

“Galinha d’angola, quase igual aquela daquele conto

Tô fraco, tô fraco…Não, sou muito forte e ponto.


Não sei se eu tô na sua. Você me enrola nua e crua.
Mas te dou mais uma chance. Você vai se ligar no lance?


Sou complicada pra casar. Quem tiver coragem vai ralar pra me amar…
Tô juntando meu dinheiro, pra criar meus filhotes bem maneiro…”

 

Ele finaliza:

 

“Maneiro seria se você, nua e crua, me enrolasse agora.

Eu iria à sala do meu chefe e diria: “Tchau, vou embora”!

 

Daí eu iria pra Pasárgada ficar perto da minha galinha d’angola.

É verdade aquilo de “mais uma chance”? Diz aí, não me enrola!

 

Mas se não for verdade isso, eu te entendo, ficará tudo bem também.

Vou seguir com meu sonho e tentar gostar de você num estilo mais zen.”

  

Depois tem mais…

André Esposito Roston publica nesta segunda-feira poemas escritos a quatro mãos por Guilherme  Fantinato e sua amiga misteriosa.

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