Um macaquinho bem treinado teria mais chances de obter uma boa foto do que eu. Não tiro uma espontâneamente há anos. Mas não consegui deixar a vontade de lado desta vez.

No último dia quatorze minha mãe entrou pela porta chorando. Ao chegar em casa, descobriu que começava a desabrochar o primeiro botão da orquídea rosa que hoje fica no lado direito da passagem de entrada do meu prédio. Uma amiga a plantou no local há um ano, onde permaneceu mais ou menos esquecida. Parecia que não iria durar muito mais. Era a orquídea que meu pai havia escolhido em sua última viagem para a Riviera. E que voltava a florescer na véspera do aniversário de falecimento dele.

São flores realmente bonitas. Convidam a crer que se encontram prenhes de recados secretos de bem estar e conforto do meu pai querido. No fundo, vejo algo mais simples. Algo como uma coincidência agradabilíssima. O que as torna ainda muito mais admiráveis.

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André Esposito Roston escreve para o Sete Doses às segundas-feiras.

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