Dia 1. Hoje foi fácil. Eu ainda sentia seu cheiro na minha pele e tinha colado na minha retina a sua imagem subindo as escadas. O Martini era a solução mais fácil, as risadas brotaram e eu me senti livre.

Dia 2. A ressaca dificultou tudo. Minha vontade era ficar na cama, principalmente porque quando eu fechava os olhos sentia você do meu lado, aumentei o som e chorei com Sinatra. Gatorade para matar a sede.

Dia 3. Nem lembrei de você. Só quando eu vi seu carro, e uma vez quando o shuffle do meu ipod me traiu. Achei engraçado não estarmos mais juntos. Whisky para matar a sede.

Dia 4. Parece que hoje é o dia de conhecer novas pessoas. Minhas amigas me intimaram a te esquecer, vi você no olho do primeiro, na boca do segundo e na chatice do terceiro. No final fui sozinha para casa. Pelo menos o Manhattan me divertiu com as suas cerejas.

Dia 5. Meu consolo é que hoje eu não preciso pensar em você. A ideia é ir ao cinema e perder a noção do tempo, o processo inclui esquecer seu cheiro e o jeito como você me beijava. Filmes de terror na tela ajudam. Mas na hora do café eu lembro de quantas colheres de açúcar você gostava.

Dia 6. Perdi-me nas palavras confusas daquele rapaz de blusa cinza e cabelo bagunçado. Ele parecia confiante. Disse as coisas certas, nem lembrei que a camiseta dele era igual a sua. Reparei que ele tinha um ponto castanho no meio dos olhos verdes. Ele me ofereceu champagne.

Dia 7. Esqueci do outro moço. Esqueci você. Esqueci nossa música e nossas risadas. Acordei rumo a bebida mais pesada que poderia existir: as suas lágrimas.  

 

Ana Luiza Ponciano escreve aos Sete Doses aos sábados

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