O sucesso individual no trabalho pode atrapalhar o colega da mesa ao lado. No Atlético, Diego Tardelli, contratado no início do ano, vem tendo desempenho arrebatador em 2009. Tão espetacular que levantou questionamentos sobre seu companheiro de ataque em momentos de pressão.

Cedido por empréstimo ao São Paulo em 2008, em mais uma das negociações do então presidente Ziza Valadares que ninguém entendeu, Éder Luís viveu um ano quase sabático. Foi importante em partidas contra Vitória (em que marcou um dos gols mais bonitos da temporada) e Palmeiras, mas, no geral, passou muito tempo assistindo a conquista do hexacampeonato brasileiro como um reles coadjuvante no banco de reservas.

De volta ao Atlético, viveu uma daquelas situações inusitadas, que alguns teimam em chamar de destino. Afinal, seu companheiro de ataque havia surgido como promessa e fracassado exatamente no São Paulo. E foi com Diego Tardelli que Éder se tornou coadjuvante do time, já que o companheiro se consagrou rapidamente, com muitos gols e a artilharia do futebol brasileiro e do Campeonato Mineiro.

Vida de coadjuvante não é fácil. Afinal, a cobrança pode ser a mesma do protagonista e, para piorar, sem as suas benesses. Mesmo elogiado, o excesso de individualidade, os erros de passes, as finalizações erradas acabam se tornando cobrança sobre Éder. Mesmo de parte de uma torcida fanática e apaixonada como a do Atlético.

Para dificultar a situação de Éder, o Galo se reforçou com o colombiano Rentería. Xodó da torcida do Internacional, mas com passagem apagada pelo futebol europeu, veio em operação pra lá de inteligente do presidente Alexandre Kalil, que passou a perna no rival Cruzeiro. Difícil não receber algumas chances como titular. E elas vieram como resultado (ou justificativa) de lesões de Éder Luís.

A troca não deu certo e o Atlético oscilou no Brasileirão. E Celso Roth decidiu apostar novamente em Éder Luís. Contra o Santos, no Mineirão, o atacante voltou a jogar ao lado de Diego Tardelli desde o apito inicial. E foi o artífice principal no primeiro tempo, com jogadas de velocidade, finalizações e. principalmente, como o homem a ditar o ritmo de um massacre. Ironia: a bola resistiu em não entrar e o primeiro tempo terminou apenas 1 a 0, com gol de Evandro, em 45 minutos inesquecíveis para atleticanos e admiradores de futebol. Éder, que sofreu com problemas de finalização no início da carreira, mostrou sua evolução em finalizações de fora da área. Mas não era o dia do seu gol sair.

Modificado, o Santos tentou reagir no segundo tempo, enquanto o Galo apostava em contra-ataques, quase sempre puxados por Éder Luís. Esperto, aproveitou erro da defesa santista para retomar a posse de bola. Tinha Tardelli como opção ao seu lado, mas o individualismo e a autoconfiança apareceram. Disparou em velocidade, driblou um rival e, na grande área, foi por Fabão. Pênalti. O gol foi de Tardelli, mas a assinatura foi de Éder. O triunfo estava sacramentado.

Depois, Tardelli, como bom protagonista, ainda faria o terceiro gol, aproveitando lançamento primoroso de Corrêa. E o Santos diminuiria com Kleber Pereira, em partida que também ficou marcada pela estreia do pentacampeão Ricardinho.

A vitória, que reacendeu sonhos ao torcedor, devolveu Éder Luís ao seu papel. Titular e decisivo, mesmo que coadjuvante, de um time que enche o atleticano de orgulho.

Leandro Augusto publica vídeos esportivos históricos aos sábados no Sete Doses.

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