– Eu posso te pedir um beijo?

O que não lhe daria? Daria tudo. E tinha raiva de que seu amor tivesse pedido pelo o que ele se humilharia para ter uma vez mais.

Beijou seus lábios com avidez. Com fúria. Sentia apenas o movimento, o movimento da boca, e o toque delicioso de sua língua. Desejou sorvê-la, imiscuir-se em seu corpo, derreter. Queria engolí-la.

O calor se espalhava por todos os cantos. Exalava de seu peito, de sua nuca, de seus braços e pernas em chamas. Pela primeira vez, do fundo de seu estômago. Tudo, tudo acabaria em instantes. Amoleceu, pensando que iria desfalecer. Mas queimava ainda mais, como se fosse explodir. Não era prazer. Definitivamente não era só prazer. Sua vida bem poderia espirar naquele momento. Sentiu-se enjoado. Um rio de fogo acelerou em seu interior, e transbordou.

O rosto do garoto umedeceu. A água escorreu por um e por outro lado, espalhando no beijo o gosto salgado, amargo, de lágrimas. Em segundos ela se afastou gentilmente, e o céu voltou a se misturar com a terra.

André Esposito Roston escreve para o Sete Doses às segundas-feiras.

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