Já fui a Brasília quando era bem pequeno, passar o Natal com a primaiada espetacular que eu tenho por lá.

Em Florianópolis passei umas férias, mas não tinha idade nem para articular uma onomatopeia.

Estive no Triângulo Mineiro, justamente na passagem para Brasília, e só me lembro do doce de leite do Zebu, que vinha na palha de milho.

Mais velho, fui a todos esses lugares sob pretextos profissionais. Eventos densos, politica ou cientificamente complexos. Nem sempre saíram do maçante.

Nas férias, sempre optei pelas maiúsculas Américas. Não me arrependo, mas sempre que me encontrava um gringo interessado em viajar pelo Brasil, emudecia de vergonha. Queriam saber as melhores praias, montanhas, mulheres, homens, amores, bebidas. Eu tive de reconhecer várias vezes que daqui eu não sabia nada. E não sei. Profissionalmente, pouco se conhece de um lugar. Não há jeito simples de se inteirar da diversa realidade que é o longe da sua casa.

Talvez seja por isso que eu esteja tão animado com as perspectivas das minhas próximas (curtas) férias. A partir de quarta da semana que vem, embarco para dez dias de uma rasa imersão no Brasil de meu passado mal resolvido. É curto como uma felação urgente, mas me faz sentir um virgem em extinção.

Semana que vem eu conto para onde e o quê.

(A nossa festa foi estuprantemente boa, nada menos do que do caralho na análise do que eu consigo lembrar. Perdi e achei e perdi a minha comanda e a vergonha na cara, mas me diverti demais. Valeu a todos!)

Ricardo Torres escreve às terças-feiras para o Sete Doses

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