As seleções nacionais devem jogar nos principais estádios de seus países. A premissa é óbvia, mas nem sempre funciona assim. A Inglaterra manda seus jogos em Wembley, o Uruguai no Centenário, a Argentina (quase sempre) no Monumental de Nuñez, a França (quase sempre) no Stade de France. Mas Itália e Brasil fazem diferente e preferem viajar por pelas cidades dos seus países.

Nem sempre foi assim. Mas compromissos políticos e a mudança do formato das Eliminatórias Sul-Americanas afastaram a seleção brasileira de sua principal casa: o Maracanã. Construído para receber a Copa do Mundo de 1950, o principal estádio do futebol mundial colecionou em seus quase 60 anos de história momentos históricos da seleção: o desastre de 1950, o maior público do estádio, registrado em 1969, nas Eliminatórias, o título da Copa América de 1989, a farsa de Rojas…

Em 2007, quando a seleção brasileira completou sete anos longe do Maracanã, a CBF entendeu que a primeira partida em território nacional da equipe pelas Eliminatórias deveria ser disputada em um dos templos do futebol mundial.

O reencontro aconteceu em outubro de 2007 em partida contra o Equador. Jogar no Maracanã exige grande responsabilidade e bom futebol. E não foi isso que aconteceu no primeiro tempo. O Brasil abriu 1 a 0, em boa trama de Robinho com Maicon, que terminou em gol de Vagner Love. E foi apenas isso. Tanto que os torcedores chegaram a clamar, ironicamente, por Obina diante dos excessos de erros de Love.

Mas o panorama mudou nos 25 minutos finais do segundo tempo. Foi quando o melhor jogador do mundo em 2007 decidiu o confronto. Primeiro, Kaká chutou de longe e Ronaldinho Gaúcho enganou o goleiro Viteri ao desviar a finalização. Mas o então jogador do Milan queria o seu gol. E assim foi em novo chute de longe. Dessa vez, os adversários foram enganados pela curva que a bola fez. Mais um golaço para a história do Maracanã.

E ainda havia tempo para Robinho entrar na festa. Um drible improvável, inesquecível e o gol de Elano: 4 a 0. A jogada plástica do atacante foi o marco da partida que teve, porém, Kaká como dono. E foi Viteri quem deu a senha para o grito de “melhor do mundo” ecoar pelo Maracanã em chute despretensioso do meia, a partir daquele momento, consagrado num dos principais palcos do futebol.

Leandro Augusto publica vídeos esportivos históricos aos sábados no Sete Doses.

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