jericoacoara1

 

 

 

 

 

 

 

 

A previsão do tempo para Morro de São Paulo, duas horas de Salvador, indica que eu vou precisar de protetor solar, mas em tese também de uma “sombrinha”. Chuvas esparsas e um calor de 30 ºC. É uma piada pronta o fato de a semana em que eu resolvi tirar férias me aprontar essa. Eu não tenho muita escolha a não ser não me importar. E, de verdade, não faz tanta diferença assim. Não se eu estiver em Morro de São Paulo.

Serão três dias na ilha, pontilhada por paisagens de pôster das agências de viagens. Aquela água azulzinha, areia fina e dourada, coqueiros e morros sem São Paulo. A cidade mais próxima é Valença, destino dos optantes pelo esquema mais “popular”, digamos, um ônibus pinga-pinga de muitas boas horas. Existe a possibilidade de ir direto de avião, caso você tenha bala para administrar um custo bastante fora do padrão “mochileiro-banho dia sim dia não”. Aí, para quem não tem muito tempo e gosta de lavar as partes pudendas todos os dias, como eu, dá para ir de catamarã ou lancha privada a partir do Terminal Marítimo, em frente ao Mercado Modelo.

São quatro praias, sugestivamente chamadas de primeira, segunda terceira e… quarta. A ilha tem outra ilha, Boipeba, onde se mergulha profundo ou raso para agradar os olhos com o mostruário natural de tons e matizes dos peixes, algas e corais. Albergue a R$ 30 por dia, com café da manhã e quarto coletivo repleto de gringos felizes e abastados com suas moedas valorizadas financiando a batucada brasileira. A dona, professora Helena (isso, não é codinome), trocou o prédio carioca do IBGE, cujas janelas emolduravam o pão-de-açúcar, para pisar na areia todo dia e ter qualidade de vida. Espere aí, no RJ também se pisa na areia e tem qualidade de vida, não? Não sei. O que é mesmo qualidade de vida? 

Depois de tentar descobrir com a ajuda da Bahia, arrasto minha mochila para Jericoacara, o destino que espera hordas de turistas interessados na Pedra Furada, nas lagoas mutantes de Jijoca, no raro (no Brasil, motivos geográficos) poente no mar e nos 320 dias de sol por ano. Como costuma definir Ricardo Freire, o melhor autor e experimentador de roteiros de viagem que eu conheço, Jericoacoara é uma experiência. Sei sei, a definição também se aplica de Machu Picchu ao Epcot Center, só que Jeri é mais do que um destino turístico baladado desde que os hippies se tornaram chiques e se enturmaram com os yuppies. O vento sopra a paisagem constantemente, move seus castelos de areia para onde quiser, e dignifica a natureza local, apequenando o homem. Poucos lugares podem ostentar esse prospecto.

De frente para a charmosa pousada onde ficarei instalado durante cinco dias, fica se modificando a mais conhecida entre todas as dunas, a do pôr-do-sol. “O fenômeno ocorre às 17h em ponto, a duna começa a ser escalada por gente que vem a pé da vila ou é trazida de bugue, jipe ou a cavalo, no ponto final do passeio do dia. Às 17h15, o topo está tomado por uma platéia armada de câmeras. Às 17h30, o sol se torna uma bola de fogo e tinge a duna de amarelo, e depois de rosa, antes de mergulhar no mar”, publicou Freire no viajeaqui.com.br.

O meu relato eu publico aqui, no Sete Doses, a partir da semana que vem.

 

Ricardo Torres gostaria de escrever mais textos sobre viagens às terças-feiras para o Sete Doses e acha que um financiador não cairia mal

Anúncios