Meus sonhos são recorrentes. O céu em um azul escuro clichê, cartões postais, uma camiseta listrada e uma carta vazia. Quase sempre você me olha com olhos inocentes lá de cima, sem eu saber que você está lá. Os prédios crescem e afundam-se no mar de concreto amarelado em frente. As luzes da cidade estão atentas, mas todo o resto está apagado.

Do alto mais alto da montanha russa, sua mão amassada, na minha, me protege do meu coração transbordando e me faz esquecer que estamos de ponta cabeça. E de fundo, quase que como em um sonho, começa a tocar Sonic Youth.

Você fica lá, rindo da minha perna bamba e sorrindo com o canto do olho. Hora de ir para a chuva.

Ela cai devagar na blusa branca que tende à transparência. Olho fechado. Iggy tocando. Ele me conta que quer ser meu cachorro. Você fica com ciúmes, me abraça sem falar nada e todo o punk soa como bossa-nova.

Ana Luiza Ponciano escreve aos sábados no Sete Doses

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