Nesta semana uma reportagem do sempre citado por aqui caderno Link, do Estadão, trouxe um dado desesperador.

Eu trabalho com internet desde 2006, mas mesmo antes disso escrevia algumas coisas que acabavam indo parar em alguns sites. Quem escreve quer que os outros leiam. Mas ao saber que, segundo pesquisa publicada pelo Estadão, só 5,8% dos brasileiros tem acesso à internet por banda larga, fiquei um pouco decepcionado.

Lembra daquela época em que para entrar na internet sem a mãe encher o saco precisava esperar a meia-noite, com aquele (não tão) saudoso barulhinho do modem discando, e que uma foto ia carregando aos pooooucos (uma agonia para a molecada que queria ver mulher pelada)? Pelo jeito boa parte do Brasil ainda navega assim.

Por um lado, os 5,8% que têm internet decente (decente naquelas, como você vai ver logo mais, a velocidade no Brasil, mesmo as mais rápidas, parecem uma carroça se comparadas a outros países) parecem estar usando de uma forma,se não adequada, intensa. Temos uma produção artística que usa bem a internet pra se promover, brasileiros dominam tudo que é rede social, o Brasil é sempre apontado como mercado em potencial quando se fala em tecnologia.

Mas por outro lado estamos falando em 160, 170 milhões de pessoas que não fazem ideia do que é assistir a um vídeo do Youtube em HD, ou cujo download de um seriado vai durar anos (sendo mais fácil esperar sair em DVD).

Na verdade esse tipo de estatística só faz a gente parar pra pensar no que, na verdade já sabe. Em um país onde a molecada sai da escola sem conseguir interpretar um texto, que os que conseguem ir para a faculdade (que já não resolve muita coisa) têm comportamento de primata em diversas situações, falar em democratização da informação e vários outros temas tratados aqui torna-se meio que uma sequência de murros em ponta de faca. Mas a gente segue firme, esperando que os 5,8 cresçam até semana que vem, até a outra, a outra…

E para deixar um gostinho, olha só a situação da internet em outros países:

Antes de partir, uma dica: este site aqui tem uma caralhada (como diria um velho amigo nosso) de livros sobre comunicação, em português e inglês, de graça, para download. Como muitos dos que aqui escrevem e que nos leem são desse mundinho, pode ter alguma utilidade.

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses e estava feliz com sua internet de 6Mbps. Agora, quer só 72 horas e um HD externo no Japão para nunca mais precisar comprar música e DVDs na vida

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