Depois de ver a Williams dominar a temporada 1987 da Fórmula 1, a McLaren deu o troco em grande estilo no ano seguinte. O MP 4-4 não foi apenas o melhor carro de 1988, mas um dos melhores da história da principal categoria do automobilismo. Para isso, também pesou o desempenho de Alain Prost e Ayrton Senna, que realizaram uma disputa renhida pelo título mundial. Nas 16 provas da temporada, o francês e o brasileiro conquistaram 15 poles e 15 vitórias. Uma dupla que se completava por seus estilos antagônicos.

Após três anos na Lotus, onde seu ímpeto rendeu várias poles, algumas vitórias e diversos abandonos, Senna foi contratado pela McLaren onde teria ao seu lado, em 1988, Alain Prost, um piloto muito mais experiente, com resultados brilhantes (dois títulos mundiais pela escuderia britânica) e uma frieza impressionante.

E o início da temporada não foi fácil para Senna. Nas quatro primeiras provas, Prost venceu três (Mônaco e Jacarepaguá, entre elas) contra apenas um triunfo do brasileiro em San Marino. Assim, o francês parecia se consolidar como principal favorito ao título. Com 18 pontos de desvantagem, Senna reagiu com seis vitórias nas sete corridas seguintes.

Porém, o campeonato ainda sofreria nova reviravolta. Depois de Senna e Prost abandonarem em Monza, o francês conseguiu três vitórias. Mesmo assim, por conta do sistema de descartes dos piores resultados, apenas o brasileiro chegou ao GP do Japão com chances de ser campeão.

Pole (foram 13 em 1988), melhor volta e vitória com mais de dez segundos de vantagem para o segundo colocado. Os dados revelam o triunfo que deu ao piloto brasileiro o primeiro título mundial, mas não contam como aconteceu o surgimento do mito Senna por conta de seu desempenho em Suzuka.

Tudo começou com um erro na largada. O motor de sua McLaren “morreu” pouco antes do sinal verde. E o pole caiu para a 14ª colocação, deixando Prost com uma larga vantagem. Foi quando Senna deu início a uma espetacular recuperação. Foram seis ultrapassagens apenas na primeira volta. Na terceira, ele era o quarto, atrás apenas de Prost, Capelli e Berger.

Uma leve chuva atingiu o circuito de Suzuka. Era a sorte ajudando Senna, já que era sob essas condições que ele preferia correr, principalmente quando estava em desvantagem. E Capelli abandonou, após chegar a assumir a liderança da prova, quando o brasileiro já havia ultrapassado Berger. A corrida e o campeonato estavam novamente entre dois pilotos.

Na 27ª volta, Senna aproveitou a dificuldade de Prost com o tráfego de retardatários para assumir a liderança do GP do Japão. Nas 24 voltas seguintes, consolidou sua liderança, abriu vantagem e venceu, conquistando o título de 1988 e mostrando que a agressividade pode vencer a regularidade, mesmo em um campeonato tão equilibrado e com apenas dois protagonistas.

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes no Sete Doses aos sábados.

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