A semana do dia 30 de Novembro ao dia 7 de Dezembro

Segunda-feira

Fim de mês. Roston posta alguns versos livres – pode ser um poema. Se sim, nele o Eu Lírico anuncia que está com preguiça ou que se mastiga demais de tristeza para escrever nem que seja em branco. Mas escreve, como sempre, que não vai escrever. Em branco. Não demora até que os versos do texto assemelhem-se a uma carta de suicídio. E tudo tem a ver com garganta. As pessoas mexendo-se em volta e “estou incomunicável”. Por fim, se o “destino” é a paz no encontro com uma mulher, o último ponto de um dia chato de trabalho (onde se pode “cansei e me recuso a continuar!” – e note a exclamação, porque esse tipo de sobressalto é raro em poema! A maioria dos autores foge um pouco do tom de chilique), o encontro com essa mulher também soa, no embalo, como uma espécie de suicídio. A proteção, o aconchego, o abraço que ela dá no pescoço. Tudo tem a ver com garganta.

Em suma, o post é um resmungo emocional do André. Coisa justa, porque nem título o troço tem, e todo poema – bom ou ruim – resmunga.

Fig 1. Ney Matogrosso canta um ponto de exclamação 

Fig 2. Manuel Bandeira no resmungo de “Estrela da manhã”

“Saudades, hein?” diz ao telefone Fernando Macedo, para oferecer seu post e uma feijoada com samba. De fato; saudades. O podcast tem mais carinho do que qualquer outra coisa. Começa com uma versão leve e comportada  – lá vem um ar forte de nostalgia (potencializado pelo eco da voz de João Nogueira) – de “Feijoada Completa”. Mais bonita e mais feijão-preto do que quando Chico canta. E eis que chega o Fernando de sempre, depois da primeira faixa, realmente travestido de locutor. O texto de narração sinestésica que quase dá para sentir os cheiros da cozinha! Mas aí começam os problemas (quando a gente tira a tampa da panela, que eu prefiro de barro): O miolo do podcast não tem muita unidade. Surgem daí trechos picotados de canções logo interrompidos pelo (“to mole que nem manteiga, e…”) grito do Grito. Faltava? Faltava. Assim sem contexto? Estranho. A dica ficaria essa – encontra um momento melhor para o urro, por favor? Não fez sentido. A escolha das canções continua salvando todo mundo da forca. Mas o volume entre uma faixa e outra varia demais – o segundo pedido ficaria este; atenta mais pra essa diferença de “altura”? Na gravação, logo depois de dizer “Laranja madura”, no entanto, é preciso notar que Macedo arrota surdino.

Fig 3. Complemento de feijão e paio

Terça-feira

Senador, esta semana, deu coça em Ziegler pela ilustração de duas vezes atrás a respeito de Geisy Arruda. Merecida, a surra, mas não se fala mais nisso. É a primeira vez que escuto uma coluna recitada, agora isso sim – não é um podcast. É tão pessoal e tão centrado no próprio Kwak que não esconde sequer a esquizofrenia do Senador, que cobra de si mesmo que elucide a sua própria dúvida (instantaneamente e sem tempo de pesquisa) sobre a faculdade de Geisy. “UNIBAN..é UNIBAN?”, pergunta não como se pra si mesmo mas quase que para outro Kwak ali sentado brincando com um suco de tomate. E o podcast chega a falar de mim; o ombudsman que nem mesmo existe! Mas não posso discorrer mais a respeito do caso. Nele, eu concordo com o Senador que concorda comigo. Fica pela graça que eu vejo no termo “tomar tenência”. O vocabulário do Kwak dá à “pisa” um tom amarelado de vovô, algo quase como um beliscão enrugado.

Fig 4. Café-da-manhã

A segunda parte da jornada de Ricardo por Jericoacoara segue o sabor da primeira. Os caminhos do jornalista já vinham antes relatados (pelo correio) como fossem aventuras para se narrar de dentro de uma jacuzzi étnica. O texto de conclusão à saga faz mais gracinhas, mas não sossega dos serviços. E erra apenas no fim do primeiro parágrafo, quando desmonta a falar de princesas, príncipes e dragões! Além de trazer um universo imagético gringo e medieval para o meio do paraíso tropical brasileiro e negão (o que se poderia até dizer que não é tanto um erro, visto que tem muita gente de fora vindo morar nesses nossos cantos perfeitos, e Jeri já parece um pouco gringa), o trecho é escrito como recorte de um diário da Hanna Montana. “Tentei me converter em príncipe para ingressar nos encantos do subterrâneo, mas a concorrência é grande e eu fiquei para trás, comido por um dragão imaginário” deve ser a coisa mais pré-adolescente purpurinada que eu já tive o prazer de ler na vida. Ricardo tenta resolver citando Drummond no final do segundo parágrafo, mas na verdade só consegue se salvar de novo quando engrossa a voz em “Se o seu paladar não tolera frutos do mar, leve um bauru ou vá para Minas Gerais”. Praticamente uma cusparada no chão e um gancho com mão em concha no saco. Agora os malditos elogios: Deus do céu, quanta coisa exótica ou com cara de exótica no mesmo lugar! Caipirinha de Umbu, “Lagoa da Torta”, sorvete de tamarindo, Chico César, carteira recheada… Faltou só uma informação, no mundo: Jericoacoara é a prima feia dos Lençóis Maranhenses? No Google Earth, Jeri parece um desertão safado.

Fig 5. Chico César

Quarta-feira

Foi a primeira vez que senti em um texto de Kazu as duas mãos da avenida. Normalmente, o post traz informações para o leitor. Aqui, se explica no meio do choro e apenas informa o que veio até ontem (não aquilo que é hoje nem que virá de agora pra frente). Não, eu não sei melhores opções para baixar filmes. Mas acho muito interessante um texto internético falando sobre compartilhamento de arquivos pedir troca de informações (sobre programas de troca de informações) entre leitor e autor. Kazu quebra a quarta parede aqui, e faz do seu post um bate-papo. Não é exatamente uma crítica. Mas também não é tanto um elogio. E sei que baixei “Deixa ela entrar” – a versão sueca de “Crepúsculo” – procurando direto no Google, e não só consegui um vírus de computador gravíssimo, como nem sequer pude ver o filme todo: em um determinado momento, a língua original é (na minha fantástica versão) substituída por um espanhol muito duvidoso.

Fig 6. Espanhol duvidoso

A cachoeira do Rocha levanta uma neblina que realmente lembra um véu de noiva (Yu ombudsman). As cores estão muito equilibradas – só não o estava o fotógrafo, que se esborrachou no chão um pouco depois de clicar a imagem. O que mais me interessa é como as rochas logo abaixo da ponte (é uma ponte, Pedra?) se confundem com as folhas secas da sombra. E é lógico que me traz lembranças de novo. Mas dessa vez trata-se de um vídeo que assisti certa vez no youtube, que rola mais ou menos assim:

Quinta-feira

Ziegler, o discurso do fim da ilustração é do AC/DC? Ele faz mesmo uma (tragi)cômica transposição da saudação (anônima?) àqueles engajados em movimentos sociais, políticos e coletivos para um urra aos demais em comemoração de produtos-de-transgressão que camuflam hedonismos individuais vividos em massa em um show de rock? (Nada contra shows de rock ou hedonismo, mas tudo tem hora, tamanho e grau) Não consigo não me incomodar com o que realmente significa a progressão de imagens na ilustração. Esta, diga-se de passagem, que ainda parece um pouco preguiçosa. Traz praticamente várias fotos famosas coladas uma embaixo da outra como se por “ctrl-c, ctrl-v” no paint brush. Nisso, a conquista da taça deve ser a única imagem que combina um pouco com o que seria um show do AC/DC. Aqueles velhinhos ginastas de couro.

Fig 7. Aeróbica do diabo

Helder não completou o seu texto esta semana. Postou um pedacinho de conto, um asterisco e ficou por isso mesmo. Não sei os motivos, então também não faço piada.

Fig 8. Lima Bahelder

Sexta-feira

A personalidade do podcast de Lex é sempre o ponto alto do trabalho. E a seleção de canções, esta vez, conseguiu praticamente (para mim) apresentar-se em inéditas – só conhecia 4 músicas. Os pontos baixos: Um pouco de exagero na apresentação (com a sugestão de afastar as coisas para poder dançar, que por mais que seja simpático, soou meio estranho de ouvir vestido no meu robe, no quarto, com essa chuva do lado de fora. Só poderia atender essa dica se eu estivesse em um filme ruim com o Tom Hanks), e o mesmo riffzinho de abertura de sempre – acho que já está na hora de mudar o “tã-nã-nu-tã-nã”…

 

Fig 9. É pra dançar mesmo?

Se semana retrasada Lucas Nobile me deixou a uma lágrima de chorar, desta vez me pôs em meia. As descrições bem-humoradas que ainda misturam o seco e realista e o fantástico (como Fontaninha a rasgar páginas de dicionário pelo “imprevisto” ou lavando as mãos com Superbonder) levam o leitor pelo dedinho (pra não fazer como a morte, que leva segurando a mão inteira) a uma fábula-do-samba – para lá onde na realidade Lucas sempre leva seus leitores, de um jeito ou de outro. A única imagem que me parece previsível demais para o nivel do resto da narrativa é a das flores como fedendo para Fontaninha. No entanto, mesmo esse é erro tão miúdo que castigar essa pérola pela frase infeliz seria como matar um elefante pela deformidade de uma espinha. É preciso dizer, mais uma vez, que nunca é a originalidade do enredo que coloca Lucas como um bom escritor. A história é sempre beirando o imbecil, o repetido. O interessante é essa raiz funda no samba e a capacidade do compositor de armar textos para se cantarolar na chuva (mais uma vez repito que é como no dia de hoje, sem sertão nenhum, tudo chovido).

Fig 10. Pra matar o texto

Sábado

Ana Luiza continua não escrevendo seus posts. Parece realmente que perdeu o interesse depois que eu passei a existir.

Leandro prossegue na Fórmula 1. O texto, desta vez, me parece excessivamente informativo – digo como se fosse ruím, porque cai um pouco numa falta de apelo “comercial”(!). Ao mesmo tempo, é de fato uma belíssima retomada histórica do esporte. Agora, dirigir um carro é esporte por quê? A mesma coisa com o xadrez. Aliás, gostaria de ver um pouco mais de xadrez por aqui. Por fim, digo que gostei da piada leve entre parênteses “para sorte de Schumacher”. Não sei bem porque, mas ri bastante.

Fig 11. Sugestão de pauta

Domingo

Não aguento mais o André Toso querendo (fingindo) ser o Nelson Rodrigues. A fluência, a simplicidade crua no relato em atos, personagem simples 1 e personagem simples 2, saltos cronológicos, finais catastróficos e arrogantes – André até vive enfiado no corpo de jornalista maldito com um quê de teatro (nem me diga nada, Dostoiévski é paixão do Domingos Oliveira) – é tudo roubado da carteira de Nelson. Pra que é que serve ler o André Toso se já existe o Rodrigues? É pra quem gostaria de saber o que o dramaturgo diria das relações do mundo de hoje? O Toso é médium? Psicografa? André está ficando chato, e deveria participar logo de um daqueles blocos de programas horrendos de auditório da televisão aberta onde fosse, junto ao sósia do Michael Jackson e o Tiririca (que não é sósia de ninguém mas é do mesmo nível do Toso e da sua corja de seguidores pedantes – não que o Tiririca seja pedante, mas é entretenimento para dementes mentais tanto quanto o André) rebolar na frente da câmera e ganhar uma nota por quanto consegue abrir mão da sua própria personalidade para imitar perfeitamente o talento de uma outra pessoa. Texto fantástico.

Fig 12. Premiada imitação de Nelson Rodrigues

Yuri Machado não assinou seu próprio post (se bem que seu nome já constava bem visível no fim do poema-caixa-de-comentários), e ainda publicou ilustrações do mês passado. Parece que se pode dizer que o desenhista não anda muito engajado no site este fim de ano, mesmo com a qualidade dos desenhos desta semana – e apesar de serem sim, inéditos na internet. O texto das alunas da Cásper é bastante ruim, mas isso também não justifica que Yuri o apresente praticamente transparente no site. Custava um pouco mais de definição? Por fim, não entendi o vídeo congelado do Youtube. Se era apenas para mandar um sinal de fumaça para os companheiros do site avisando que você anda mesmo muito triste e que está prestes a tomar um porre com o Roston porque afinal de contas até a lembrança vai embora, deveria ter publicado isto:

Nabuco Dosador é ombudsman do Sete Doses às segundas-feiras.

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