Estou ainda me recuperando de minha longa jornada noite a dentro. Lidando com o mau humor e aquela leve sensação de culpa cristã e vergonha que aparece sem razão aparente nos dias de ressaca. Fica sempre aquela dúvida idiota: será que fiz alguma besteira muito grande de que não lembro?

Estava sem idéias sobre o que escrever hoje. Gostei muito do texto do André Toso. Estar de ressaca deixa o homem com vontade de passar a controlar a própria vida. Como faz tempo que não dedico um texto a algum escritor, vou aconselhar a leitura de Jean-Paul Sarte. Não só de sua literatura, mas de sua produção como intelectual. No primeiro caso, sugiro a coletânea “O Muro”. O conto que dá título ao conjunto é uma pequena obra prima. No segundo caso, deixo abaixo um trecho muito interessante sobre o debate a respeito da condição humana:

 “Se se quiser dar toda a sua complexidade ao pensamento marxista seria preciso dizer que o homem, em período de exploração, é ao mesmo tempo o produto de seu próprio produto e um agente histórico que não pode, em caso algum, passar por um produto. Tal contradição não é cristalizada, é preciso apreendê-la no movimento mesmo da práxis; então, ela esclarecerá a frase de Engels: os homens fazem a sua história sobre a base de condições reais anteriores (entre as quais devem-se contar os caracteres adquiridos, as deformações impostas pelo modo de trabalho e de vida, a alienação, etc.), mas são eles que a fazem e não as condições anteriores: caso contrário, eles seriam os simples veículos de forças inumanas que regeriam, através deles, o mundo social. Certamente, estas condições existem e são elas, apenas elas, que podem fornecer uma direção e uma realidade material às mudanças que se preparam; mas o movimento da práxis humana supera-as conservando-as.” (Sartre, em seu livro “Questão de Método”)

 André Esposito Roston escreve para o Sete Doses às segundas-feiras.

Anúncios