O Sete Doses volta a homenagear o Flamengo, que conquistou o seu sexto título brasileiro no dia 6 de dezembro. Depois de relembrar a campanha do título de 2009 na semana passada,  rememoro as conquistas de 1980, 1982, 1983, 1987 e 1992.

Clube mais popular do Brasil, o Flamengo encerrou, com a vitória por 2 a 1 sobre o Grêmio, um jejum de 17 anos sem ser campeão brasileiro, acabando com uma longa espera de seu torcedor. Agora a equipe acumula seis títulos (cinco oficialmente, mas ninguém realmente acredita que o Sport seja o campeão de 1987),  conquistados por esquadrões que contavam com dezenas de craques, quase todos formados na Gávea, e que sempre cresciam no momento de decidir, o que é uma característica histórica do Flamengo.

A trajetória vitoriosa do Flamengo no Brasileirão começou em 1980, com a geração de Zico, que já dominava o futebol carioca há alguns anos, mas vinha tendo um desempenho pífio na competição. Isso fazia os críticos afirmarem que o time só jogava no Maracanã. O tempo, mais uma vez, foi a melhor resposta.

Dirigido por Cláudio Coutinho e com um elenco que contava com Raul, Rodinelli, Marinho, Junior, Andrade, Carpegiani, Tita, Zico e Nunes, entre outros, o Flamengo fez a melhor final da história do Brasileirao contra o Atlético-MG. No primeiro jogo, no Mineirão, vitória atleticana por 1 a 0. Na volta, no Maracanã, Nunes marcou dois gols na vitória flamenguista por 3 a 2, garantindo o título e a alcunha de Artilheiro das Decisões.

Depois de ser campeão da Libertadores e do Mundial em 1981, o Flamengo voltou a dominar o futebol brasileiro no ano seguinte, sob o comando do técnico novato Carpegiani. A base do esquadrão era a mesma do primeiro título e, assim como aconteceu em 1980, Zico foi o artilheiro da competição, com 21 gols. O principal confronto aconteceu nas semifinais. E o Flamengo passou pelo Guarani, de Careca, com duas vitórias: 3 a 2 e 1 a 0.

A final contra o Grêmio, campeão em 1981, foi equilibrada. Na primeira decisão, no Maracanã, Zico arrancou o empate com um gol aos 44 minutos da segunda etapa. No Olímpico, o empate sem gols obrigou a realização de um terceiro jogo, novamente em Porto Alegre. Nunes e Leão trocaram provocações durante o jogo, Raul fez defesas espetaculares e, dessa vez, o Flamengo triunfou por 1 a 0, com mais um gol do Artilheiro das Decisões.

O Flamengo conquistou o terceiro título brasileiro em 1983, dirigido por Carlos Alberto Torres. Dessa vez, porém, não enfrentou tantas dificuldades na decisão como nos anos anteriores, mesmo perdendo a primeira partida da final para o Santos, por 2 a 1, no Morumbi.

No Maracanã, com 155.523 torcedores (maior público da história do Brasileirão), o Flamengo confirmou seu favoritismo com um triunfo por 3 a 0. O primeiro gol, de Zico, saiu no minuto inicial e abriu mais uma atuação primorosa do time rubro-negro. Os outros dois foram feitos por Leandro e Adílio.

Em 1987, com a CBF sem recursos financeiros, as principais equipes brasileiras fundaram o Clube dos 13 e organizaram a Copa União, que representaria o Campeonato Brasileiro daquele ano. A CBF, porém, decidiu entrar na organização da competição, com a criação de três módulos. A Copa União era considerada o Módulo Verde, uma espécie de primeira divisão.

Além disso, a CBF definiu que os dois finalistas do Módulo Amarelo enfrentariam os dois primeiros colocados do Módulo Verde para definir o campeão brasileiro de 1987. Mas Flamengo e Internacional, que disputaram a decisão do torneio organizado pelo Clube dos 13, se recusaram a enfrentar Sport e Guarani.

A CBF, então, declarou que Flamengo e Inter estavam eliminados do campeonato. E organizou a decisão entre Guarani e Sport, os melhores do Módulo Amarelo. O time pernambucano venceu a disputa e foi apontado como campeão brasileiro de 1987. Mas a história consagrou o Flamengo como dono de fato do título daquele ano.

Polêmica à parte, o Flamengo daquele ano mesclava a juventude de promessas, como Jorginho, Leonardo, Zinho e Bebeto, com a experiência de atletas como Leandro, Edinho, Zico, Renato Gaúcho e Andrade. E contou com uma ascensão na reta final para ser campeão.

A equipe, dirigida por Carlinhos, não venceu nenhum dos dois turnos de sua chave, ambos ganhos pelo Atlético-MG, mas se classificou às semifinais por conta de sua campanha. E eliminou o time mineiro com duas vitórias, por 1 a 0 no Rio e por 3 a 2 no Maracanã. Na decisão, empate por 1 a 1 com o Inter, em Porto Alegre, e vitória por 1 a 0, no Maracanã, com o gol do título sendo marcado por Bebeto.

Assim como aconteceu em 1987, o Flamengo voltou a ser campeão brasileiro em 1992 com uma arrancada na reta final do torneio. Dessa vez, porém, o time, novamente dirigido por Carlinhos, não era tão técnico como o do título anterior. Mesclava promessas, como Júnior Baiano e Marcelinho Carioca, com jogadores experientes, como Zinho e Júnior.

Na fase semifinal, disputado em grupos de quatro equipes, o Flamengo passou pelo favorito Vasco, dono da melhor campanha. E na fina superou o também favorito Botafogo, com atuações brilhantes de Junior. O confronto foi decidido no primeiro tempo do primeiro jogo com vitória por 3 a 0, com gols de Junior, Nélio e Gaúcho. A segunda partida da final, que terminou empatada por 2 a 2, com gols de Junior e Julio Cesar para o Flamengo, ficou mais marcada pela queda de uma grade da arquibancada, que causou a morte de três torcedores.

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

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