Estava indo de carro até Copacabana, quando começou uma pequena chuva. Ligou o pára-brisa. Tum         Tum                        Tum         Tum

– É… bem que parece marcação mestre de escola samba.

Começou a batucar, acompanhando a marcação do carro. Tuk  –  turuk  –  tu  –  tum , Tuk  –  turuk  –  tu  –  dum

– Pronto! Mania de procurar padrão em tudo! Mas não é que tá funcionando bem?

Resolveu passar para a velocidade média. Tum    Tum    Tum    Tum

E acelerou a batida. Tuk-turuk-tu-tum, tuk-turuk-tu-tum

Seguiu dirigindo, agora como uma tartaruga entre buzinas de motoristas furiosos.

– Excelente! Gente, se alguém repara de verdade em mim aqui! Ahah, isso é o máximo!

Ajustou a marcação para velocidade máxima. Tum-Tum-Tum-Tum! Tinha parado de chover. Tukturuktudum tukturuktudum tuktkrudtmutdturu kdmudmtum!

 Um sinal fechou.

– Tá animado hein meu filho!? – disse a senhora que havia parado a seu lado, logo antes da faixa de pedestres.

– Não! To louco mesmo!

André Esposito Roston escreve para o Sete Doses às segundas-feiras.

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