Já ouvimos Dunga falando várias vezes em merecimento por esforço para justificar as repetidas convocações de jogadores de qualidade duvidosa para a seleção brasileira. É a lógica do grupo, que seria mais fundamental para os triunfos do que apenas jogadores talentosos.  Ela será repetida diversas vezes em 2010, ano de Copa do Mundo.

Esse discurso na seleção brasileira não surgiu com Dunga e teve a sua consagração com Luiz Felipe Scolari, campeão na Copa do Mundo de 2002. Difícil esquecer a tal Família Scolari, que não tinha espaço para Romário, ainda em bom momento técnico, o que justificaria a sua convocação para o Mundial no Japão e Coreia do Sul.

Para conquistar o título, porém, o Brasil passou por um sufoco nunca antes visto na história desse País. E nem foi na Copa que o drama aconteceu. Nas Eliminatórias, a seleção começou sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, passou pelo interino Candinho, Emerson Leão e terminou o torneio classificatório com Felipão. Perdeu seis dos 18 jogos que disputou.

Scolari apostou em recursos como marcar uma das partidas no Estádio Olímpico para garantir o Brasil no primeiro Mundial realizado no continente asiático. Mas o futebol apresentado pelo time era medíocre. Por isso, a seleção correu risco de ficar fora do Mundial e precisava de uma vitória na rodada final das Eliminatórias para garantir sua vaga na Copa.

A CBF, claro, repetiu a velha rotina de misturar futebol com política, no momento em que era alvo de CPI. Tirou o duelo dos principais centros do futebol brasileiro e marcou para São Luís. Terra de José Sarney, de Fernando Sarney, então diretor da entidade, e de Roseana Sarney, pré-candidata do então PFL à presidência.

A Venezuela, eterno saco de pancadas do futebol sul-americano até então, metia medo, já que vinha embalada por uma série de vitórias. E isso ajudou o Brasil. Sobrou salto alto e prepotência aos venezuelanos. E o jogo foi mais fácil e menos nervoso do que se imaginava.

O Brasil jogou ao estilo Felipão. Marcação pressão, sufocando o adversário desde o início. Um massacre nos 35 minutos iniciais. E os gols saíram com facilidade, logo no primeiro tempo, com Luizão, duas vezes, em dia de Romário e salvador da pátria, no dia em que comemorava 26 anos. O terceiro gol da vitória foi de Rivaldo, em partida que contou com uma atuação destacada de Edílson.

Só que o time aguerrido que foi escalado no jogo final das Eliminatórias não tinha qualidade suficiente para disputar uma Copa do Mundo. Sorte que Felipão sabia disso e fez algumas fundamentais na base do time. Mas grande parte dos jogadores que classificaram o Brasil foram ao Mundial de 2002, por gratidão e para formar a Família Scolari. Assim, jogadores como Luizão e Edílson foram pentacampeões mundiais e a seleção teve um banco de reservas fraco na Copa. Mas, mais importante, o título mundial foi conquistado.

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

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