Quero me desculpar pela ausência sábado passado, mas meu texto explicará nas entrelinhas os motivos. Parece que eu achei outra paixão. Ou seria amor?

Lá eu tinha outra vida. Não posso dizer que era melhor, mas era outra. Quando dormia sonhava com a minha vida anterior e acordava e me sentia confusa, em outro mundo. Minha respiração era mais gelada e mais justa, fazia sentido. Meus olhos e meu corpo mal podiam acreditar nos caminhos que minha mente percorria. Tudo era um filme. Cenas passavam desgovernadas, pessoas conversavam sorridentes em uma língua que eu não conhecia, mas que estava dentro de mim. Os movimentos delicados se justificavam, era ela a mais delicada. E mais que qualquer outra, ela era amarela e confortável. Leve, descompromissada. Completa, me chamando para ficar. Sorrindo charmosa só para mim. Não fiquei. Ela tinha muitos nomes, muitos medos, muita história, eu não poderia aguentar. E no lugar onde todos querem se encontrar, eu preferi me perder e largar pedaços meus estampados na sua poesia alaranjada. E foi melhor assim.

Dica de filme do dia: Vai na locadora e pega qualquer um do Godard. Eu garanto.

 Ana Luiza Ponciano escreve aos sábados no Sete Doses

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