Quando tive a ideia de criar o Sete Doses pensei em uma forma de reunir meus amigos em torno de algo prazeroso. O plano inicial era criar uma espécie de laço com pessoas que conheci em diferentes fases da minha vida para não perder contato com elas. Fiz o site com esse intuito e não tinha nenhuma pretensão sobre ele. Estava enganado. Nos três primeiros dias de Sete Doses tivemos uma média de 1.500 acessos diários. Recebi dezenas de e-mails de amigos e desconhecidos elogiando a ideia. Claro que esse número era uma loucura muito grande para ser real, ainda mais porque nunca divulgamos o site de maneira decente, simplesmente publicávamos o conteúdo e esperávamos o resultado.

Com o passar do tempo, os acessos se estabilizaram em uma média de 300 por dia. Número pelo menos cinco vezes maior do que eu esperava. Aliás, eu jamais apostaria que o Sete Doses completaria um ano, ainda mais atingindo os 80 mil acessos. E-mails de alguns Estados do Brasil, elogios e mais elogios. Mas os acessos não significaram nada se comparado ao que foi produzido neste site. Até aqui, contabilizamos cerca de 650 posts, com mais de 3.500 comentários. Mas nem é a quantidade que impressiona e sim a qualidade e diversidade.

Cada um dos 14 integrantes que aqui estão já escreveram bobagens homéricas e medíocres, mas a maioria dos posts são muito bons. Muitos deles, na minha opinião pessoal, beiram a genialidade. O acervo cultural que criamos em menos de um ano é inestimável e um reflexo de cada um dos meus amigos. Passei a conhecê-los de verdade. A liberdade conferida no Sete Doses possibilitou que as pessoas depositassem suas almas no site, sendo francas e, muitas vezes, desabafando claramente. O Sete Doses passou a servir como uma espécie de terapia semanal, como bem disse o Lex uma vez.

Bom, passado 2009, com a chegada de 2010, o Sete Doses está prestes a completar um ano de vida. No fim do ano passado, cheguei a desanimar do blog e pensei em encerrá-lo enquanto ainda existia qualidade. Meu medo era que os posts ruins superassem os bons. Mas na sexta-feira resolvi que o site deve continuar. E mais, devo investir mais tempo e energia nele. Por isso, quando completarmos um ano, planejo uma reformulação total. O layout, com certeza, será alterado. O projeto editorial ainda estou pensando, mas também deve passar por uma reestruturação. Tudo isso, claro, será discutido com todos os integrantes. A ideia é renovar para voltarmos a ter o mesmo pique que tínhamos um ano atrás (se bem que muitos estão até mais animados hoje do que antes).

Outro objetivo é ter um contato maior com o leitor. Sei que muita gente é tímida ou acha que não tem muito que dizer e não comenta os textos, mas nos lê diariamente. Você, que entra aqui e não comenta, peço que envie um e-mail para setedoses@gmail.com com seu nome. Só isso: mande um e-mail com o seu nome para criarmos uma lista de leitores. Com essa lista, podemos saber quem são nossos leitores fiéis. Além de nos estimular, deixaremos vocês atualizados sobre o que vai rolar. Em 2010, a exemplo do que aconteceu com a exposição de tirinhas do Yuri e com a festa de sete meses do Sete Doses, o objetivo será levar o conteúdo virtual para o real. O leitor que me mandar esse e-mail pode ganhar convite de graça para esses eventos, a camiseta do Sete Doses e coisas do tipo. Não sei como vou fazer isso ainda, mas provavelmente por meio de sorteio. Mesmo você que é amigo de alguém que escreve e gosta do site, mande seu nome.

Do mais, queria agradecer aos outros 13 integrantes do Sete Doses. Cada um deles sabe que é especial pra mim e que marcou a minha vida de alguma forma. Conheci alguns ao acaso, já estudei e já trabalhei com outros, já até dividi o mesmo teto com dois.

E só para explicar, sexta-feira foi um dia marcante, pois perdi contato diário com dois dos caras que participam do Sete Doses. Eram os dois últimos que eu ainda tinha contato diário. Agora, estou separado de vez dos 13. Como sabemos, a vida vai nos levando por caminhos inesperados e a convivência com os amigos vai ficando difícil. O Sete Doses, neste sentido, é o fio que me liga a cada uma dessas pessoas especiais. Deixei de publicar meu texto essa semana para usar o Sete Doses como terapia. O impacto da perda de contato com esses dois amigos foi forte, mas espero que possamos nos encontrar lá na frente de novo. Por enquanto, temos o site.

Pra terminar, acho que aos 25 anos estou em uma idade decisiva. É aqui que um homem ou uma mulher começa a definir algumas coisas que serão levadas pelo resto de sua vida. É aqui que vai começar a determinar se daqui a dez anos estará sentado em um bar com seus velhos amigos no domingo a tarde – conversando amenamente e tomando uma cerveja – ou se estará no sofá engordando e assistindo Faustão. Um ser humano medíocre começa a ser fabricado a partir dos 25 anos de idade. O Sete Doses, de alguma maneira, dificulta essa tendência natural que temos à mediocridade. Mas é muito difícil lutar contra ela e eu gostaria que todos os meus amigos de site e os que estão me lendo agora se conscientizassem disso e lutassem para não se transformarem em pessoas nulas ou escrotas. Quanto mais os anos passam, mais a pessoa se torna amarga. Isso é inevitável. O mundo é tão absurdo que é difícil não se tornar mais triste do que feliz. O que nos resta é aproveitar a felicidade que temos e tomarmos cuidado pra não deixarmos a tristeza se transformar em passividade.

André Toso escreve aos domingos para o Sete Doses

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