Desde que comecei a escrever Coquetel, além de texto, tenho colocado no post as capas dos discos e clipes de algumas músicas para sustentarem a ideia. Sou designer gráfico e, para mim, a parte visual tem importância igual ao que escrevo. Quando há sintonia entre estes elementos o resultado fica agradável ao leitor. Fazer um bom clipe não é tarefa fácil e quando os recursos são limitados, a falta de verba é um deles, o problema é maior. Por outro lado quando é desenvolvida uma boa ideia a dificuldade é facilmente contornada.

Foi o que aconteceu com Collapsing Cities. A banda tem feito clipe desde o homônimo EP, lançado em 2007. O de “Elixir Always”, uma de minhas músicas preferidas, é simples. Como cenário, foi utilizado apenas o fundo infinito do estúdio. O restante ficou por conta de edição esperta, um pouco de performance, instrumentos musicais e camisetas coloridas.

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A banda se autonomeou inventora do “rock’ n’ roll that you can dance”. Exagero ou não, sobre o vocalista Steve Mathieson alguns críticos declararam que sua voz muitas vezes é engraçada e monótona, mas que pode virar selvagem e irregular em segundos. Isso é elogio ou crítica?

collapsing_cities_EP

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Agora quando o orçamento permite trabalhar com diretor renomado, e se ele for Michel Gondry, é certo que o clipe será, no mínimo, genial. Foi o que aconteceu com “Sugar Water”, das meninas de Cibo Matto. Imagine a sequência de ações: uma pessoa acorda, toma banho e sai de casa. Ela é atropelada, volta para casa, toma banho novamente, deita e dorme. Simples, não? Na teoria, sim, mas na prática não há simplicidade alguma no resultado. Costumo dizer que este é o clipe mais legal que existe no mundo.

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Yuka Honda e Miho Hatori já haviam participado de outros projetos juntas, mas a química aconteceu quando iniciaram a dupla. Cibo Matto é frase em italiano que significa “crazy food”. Não à toa o tema principal do disco Viva! LA Woman é comida.

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Humor é um recurso interessante para clipe. Pulp utilizou paródia em “Bad Cover Version”. Verdadeira constelação formada por Rod Stuart, Phil Collins, Björk, Liam e Noel Gallagher, Paul McCartney, Elton John, Mick Jagger, Keith Richards, George Michael, Kurt Cobain, morto em 1994, entre outros, esteve reunida em estúdio de Londres para realizar tributo a uma das bandas mais inventivas de todos os tempos, o próprio Pulp. Jarvis Cocker participou de duas formas. Uma representada por seu cover e a outra ele mesmo interpretando Brian May, de Queen, no acorde final.

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Faço mea-culpa por ter perdido o show do Pulp, dia 28 de novembro. A turnê que passou por São Paulo colocou fim há dez anos de recesso. Seria ótimo se a banda lançasse novas músicas, novos clipes e se tivéssemos mais apresentações por aqui. A única certeza que temos é que, em 2013, não faltarão grandes festivais espalhados pelo país.

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Qualquer pessoa munida de smartphone e de software de edição de vídeo, baixado gratuitamente na internet, consegue produzir um clipe. Se o resultado será interessante é outra discussão. Algumas gravadoras investem pesado na divulgação de seus artistas, diretores consagrados são chamados para realizarem o trabalho, mas em nada vale se o conteúdo não for bom. A perfumaria digital e tecnológica utilizada por artistas pop enchem os olhos, e só. Rapidamente a “data do produto expira.” Certa mesmo está a máxima de Glauber Rocha: “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.

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Lex, Leandro Borghi, além de designer gráfico é diretor de arte da Revista Trevo, escreve todas as sextas para o dezcapas.wordpress.com e produz e apresenta a dose_INDIE há três anos.

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