Machuca o coração assistir os vídeos acima. Conquistar o título do Campeonato Brasileiro de 1999 pareceu ser um sonho distante no início do torneio para o torcedor atleticano. Mas a Massa abraçou o time, lotou estádios (seja o Independência ou o Mineirão) e o time engrenou durante a competição.

Em campo, a proposta atleticana era simples, até pela falta de tarimba do técnico Dario Pereyra, apostando em um meio-de-campo de muita marcação. De resto, bastava contar com a qualidade da dupla de ataque formada por Marques e Guilherme, que assombrou o futebol brasileiro em 1999.  Na defesa, Velloso, e, principalmente, Cláudio Caçapa faziam a diferença.

A vaga nas quartas de final parecia consolidada, mas uma derrota por 4 a 0 para o Guarani na penúltima rodada pareceu ruir o sonho atleticano. Dario Pereyra foi demitido e Humberto Ramos assumiu o time no último jogo da fase de classificação. A vitória sobre o Grêmio aconteceu e a combinação de resultados necessária também. Depois disso, a equipe eliminou o rival Cruzeiro e o Vitória para chegar na final do Brasileirão.

O desafio era gigante. O atual campeão Corinthians tinha um time ainda melhor que o de 1998, com astros como Dida, Rincón, Vampeta, Marcelinho Carioca, Ricardinho, Edílson e Luizão. O saldo da primeira final foi positivo, com uma vitória por 3 a 2. Mas a grave lesão sofrida por Marques estragou um pouco a festa e tornou o sonho mais complicado. E, para piorar, o Galo perdeu a segunda decisão por 2 a 0.

O time precisa vencer a final em um Morumbi lotado por corintianos. Mas nem o clima adverso e a qualidade corintiana intimidaram o Atlético. O time foi valente, jogou com garra e lutou muito. Dida, porém, fez de tudo para impedir a conquista do Galo, enquanto Marcelinho Carioca misturava talento com cotoveladas. E o gol do título não saiu.

A etapa final foi ainda mais nervosa. Belletti quase fez um golaço e poderia ter saído como vilão ao ser expulso. Poderia, porque ninguém esqueceria o seu bom desempenho na competição. E muito menos a cena emblemática do choro sincero e incontido sozinho, no vestiário.

Sim, ao atleticano machuca relembrar aquela 0 a 0  e a perda de um título que escorreu pelos dedos, por erros e pequenos detalhes. A sensação é de impotência por não poder alterar um passado que merecia ter tido um final mais justo e bonito.

Ficou também, porém, a certeza de que derrotas não apagam o valor de um grupo comprometido, que soube se impor diante de um adversário de mais qualidade técnica. E como diz o hino, “honrou o nome de Minas no cenário esportivo mundial” porque lutou até o final, jogando “com muita raça e amor”. Por isso, não é necessário um troféu para se orgulhar do elenco do Atlético que disputou o Brasileirão de 1999. Às vezes, a valentia pode até valer mais do que um título (que o diga o Oswaldo de Oliveira…).

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

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