O nome dele estava lá, meio apagado, meio nebuloso, mas estava lá. E em um segundo começou a piscar, em um laranja gotejante. Fundo o suficiente para fazer meu coração acelerar de forma inédita. Esse era seu maior problema: sempre fazia sentir tudo pela primeira vez, como se antes o mundo estivesse apagado.
“Ele era como um daqueles sapatos de boliche, que você sabe que ficam incríveis, mas que no final você precisa devolver”.
Perguntou se sentia sua falta, se era possível encontrá-lo. Não, não era. Prometi que seria a ultima vez. E se for pra não chegar em lugar nenhum, por que não mais uma vez?
No horário marcado, ele estava lá, gaguejando e sem coragem de olhar no meu olho. Sem assunto e sem restrições:  se somos iguais por que não ficamos juntos? Não sei… Não é todo dia que a champagne quebra o vidro do carro acerejado, mas por que não mesmo?

Ana Luiza Ponciano escreve aos sábados no Sete Doses e todas às vezes que precisar, contará com a ajuda de uma das “doses”.

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