Nós estamos construindo uma religião, uma verdade universal. Um cigarro que queima até o fim, um carro cor de uva transitando pelo braço da jovem garota que corre pelo ontem. O amor está agora servindo panquecas pela sua ausência de coragem.

Algumas pessoas insistem em tomar Coca Cola Plus, fingindo acreditar nas vitaminas extras e os bancos simétricos continuam sozinhos. A fria Paulista perdeu a mente e absorveu nossas ideias, agora tudo o que temos são noites vazias e cinemas cheios.  Aceitamos cores para nossos currículos e a televisão ficou preta e sem profundidade.

Naquele dia no bar, coloquei minha roupa retrô e pintei o olho igual uma Onassis, só para fingir que os traços violetas me trariam felicidade. Alguém lembra como ela morreu? Alguém ainda se importa?

Hoje foi assim, um cinza amarelado com tom de despedida. O trem foi e voltou trazendo mais uma chance. Mas será que é isso que queremos? Eu espero, e espero, e penso que talvez a chuva não seja tão corrosiva assim. Penso na falta que você me fez e me sinto livre. Eu tento e tento, não consigo parar, parece que seu nome na garrafa de whisky fica cada dia mais latente. Vivendo aquilo por meses, juntos dividindo uma mesa e alguns sorrisos. Eles nunca são suficientes. Assim como os hoteis caros e as noites de sonho sempre acabam.

Não é difícil enganar um sentimento. Por que a gente não se muda para um submarino amarelo? Afinal, nós construímos esse mundo sozinhos, no banco de trás do taxi, olhando para o Dakota Building. Amor com escalas.

Ele sorriu pra mim, não… foi só impressão.


Ana Luiza Ponciano escreve aos sábados no Sete Doses

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