Duas portas, duas escolhas. Do lado de dentro, sempre dois ambientes. Diversas situações, cada uma delas com umas dezenas de ações e reações. Corretas ou não.

Atravessar uma porta como essa nem sempre significa deixar para o passado o que é do passado, muito menos ignorar ou excluir de vez o ambiente que outrora já tinha se acostumado.

Muito menos é fechar outras. O desenho sugere talvez ultrapassar e assumir um novo ambiente. Ou ainda, manter tudo como presente e porque não até fundir com o futuro.

Minha ideia inicial, ou os primeiros movimentos com o mouse, era baseada em Porta aberta para a vida circular. Cansado da vida rodopiando sem direção?

Tem o carinha pequeno, nem é pequeno, o ambiente que é vasto demais para achar as respostas. Aí decide, abra a porta! Mas são duas! Então uma escolha, alternativas?

Eu não sei…

Me sinto claustrofóbico, beirando um desespero. Abrir a porta e circular pelo outro lado, ou na verdade, circular no tal ambiente vasto e já familiarizado – tão desejado.

Nas paredes que sustentam as portas, o céu e o inferno. E o acabamento no outro lado da parede também é assim. Ou será que deve ser como numa casa. As paredes externas mais bem protegidas, contra chuva, vento. Mas internamente elas são aconchegantes, são mais suas paredes.

Abandonar um ambiente é risco de voltar e não encontrar mais nada no lugar. É risco também não sair e deixar de respirar, de circular!

O carinha aí do desenho, tá meio que olhando de lado, meio bambeando. É, ele não sabe!

Não sabe exatamente nada. Nada de portas, nada de paredes, nada de escolhas. Sabe dele, mas não onde se encaixa, onde deve circular.

Vive na dúvida, no questionamento, vive de pensar e falar e escrever. Vive de errar em tudo isso, morre por não acertar.

A vida não deveria ter paredes e as portas também não. Apenas batentes. Vagando mesmo, apenas para mostrar que existem caminhos, mas caminhos onde você possa ir e vir. Circular livremente pela sua dúvida. Só que circular não é rodopiar.

Mas quer saber, não tem nada haver com escolhas, é puramente acreditar que dará certo. Ou pelo menos, acreditar que é preciso fazer algo. Sentir esse mesmo ambiente e enxergar o que ainda é possível, o que ainda vale a pena. Simples assim e aqui ou complicado acolá!

Ok, homenzinho do desenho, fique bem!

Alessandro Ziegler escreve, desenha e não chega a lugar nenhum. E não só às quintas-feiras no setedoses

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