Havia algo que a criança não conseguia alcançar.

Parecia um balão de gás.

Que subia vagarosamente para o céu.

A criança se entreteve.

Sem saber sobre o inalcançável.

O barbante preso à bexiga era uma esperança.

A linha serpenteava com o vento.

A criança sorria para aquela dança.

Queria o balão.

Sustentou-se na ponta dos dedos.

E ficou em pé pela primeira vez.

Como se já fosse adulta.

Mas o balão estava ainda mais acima.

Bailava no ar de maneira provocativa.

A criança saltou.

Caiu.

O balão avançou um pouco mais.

Agora com a linha tesa.

A criança não desistiu.

Também ficou ereta.

Esticou os braços.

Subiu.

E seus pés deixaram o chão pela primeira vez.

Como se já não fosse adulta.

A criança planava como a bexiga.

O barbante lhe passou desafiadoramente entre os dedos.

Quando um adulto de verdade apareceu.

O pai interrompeu aquele baile com um grito de preocupação.

A criança ruiu.

E o balão estourou.


Helder Júnior escreve às quintas-feiras para o Sete Doses

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