Em 2002, o Corinthians teve uma das melhores temporadas da sua história ao faturar os títulos da Copa do Brasil e do Torneio Rio-São Paulo e ser vice-campeão do Brasileirão. E, em um raro momento de euforia, o técnico Carlos Alberto Parreira mostrou sua empolgação com a equipe ao afirmar que o latetal Kleber, o meia Ricardinho e o atacante Gil formavam o melhor setor esquerdo do mundo.

Apesar dos exagero, o lado esquerdo era um dos segredos do sucesso corintiano e foi fator fundamental para a volta de Parreira ao comando da seleção brasileira. E a estrutura do sucesso corintiano se desmanchou um pouco mais com a polêmica ida de Ricardinho para o rival São Paulo.

Mesmo assim, o início da Libertadores foi auspicioso, com a melhor campanha da primeira fase, com 15 pontos em seis jogos, se aproveitando da fragilidade de alguns dos oponentes de seu grupo, como o Fênix, do Uruguai, e o The Strongest, da Bolívia, e das boas fases de Gil, Kleber e também do centroavante Liédson.

Esse sucesso, porém, começou a ruir no Monumental de Nuñez, com a derrota por 2 a 1, de virada, para o River Plate, no primeiro jogo das oitavas de final e a expulsão de Kleber. Ainda havia a volta, em um Morumbi lotado, com um público de 66.666 pagantes.

Liedson ainda fez a sua parte, aos 9 minutos, ao colocar o Corinthians em vantagem. O River Plate, porém, empatou com Demichellis, então o camisa 6 do time argentino, que aproveitou cruzamento perfeito de D’Alessandro. E o time paulista se perdeu. O lateral-esquerdo Roger, hoje na Polônia, com direito a naturalização e passagens pela seleção local, substituiu Kleber. E fez como titular: foi expulso após dar um pontapé em D’Alessandro, então o dono do jogo.

O habilidoso argentino, campeão mundial sub-20 em 2001, continuou liderando o River Plate, que foi soberano no segundo tempo, com mais um gol, de Fuertos em cobrança de pênalti, e uma nova expulsão no Corinthians, dessa vez de Fabinho. E o sonho de conquistar a América foi mais uma vez adiado e deixou o time do Parque São Jorge em crise.

D’Alessandro se juntou aos atacantes Batistuta e Jardel, e o goleiro Marcos como carrascos corintianos na Libertadores. Roger, Kleber e Geninho saíram como vilões da vez e o tal setor esquedo não funcionou como o esperado.

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

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