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Love Story é uma “tradicional casa noturna do centro de São Paulo, que mistura mauricinhos, boêmios, prostitutas e perdidos da noite ao som de música eletrônica”, segundo a descrição de um guia especializado. Conhecedor da boate, o ex-atacante Edílson se orgulha por também agradar aos mais diversos públicos. “Costumo me chamar de Edílson Love Story. Sou o jogador de todos os times”, definiu-se, parodiando o slogan da “casa de todas as casas”.

Edílson defendeu 14 clubes em sua trajetória como profissional. Alguns completamente antagônicos, como Palmeiras e Corinthians em São Paulo e Flamengo e Vasco no Rio de Janeiro. O que não o impediu de gostar de todos. “Dei o sangue por cada um deles”, garantiu. Mas foi o Benfica, pelo qual o ex-atleta teve uma rápida passagem, o único time que mereceu ocupar um espaço no seu escritório. Um relógio com a fotografia do Capetinha no clube português ilustra a parede da principal sala da Ed Dez Produções.

Antes de chegar ao Benfica, Edílson só vestiu uniformes verdes. Primeiro o do Tanabi-SP, depois o do Guarani e, por fim, o do Palmeiras. O então meio-campista se destacou no interior paulista a ponto de ser negociado com a Parmalat por US$ 1,5 milhão em 1993, na maior transação entre clubes do Brasil na época. Para comemorar, comprou uma casa para a mãe e o invejado Kadet vinho de um ex-dirigente do Bugre. Foram as suas primeiras conquistas materiais.

O ex-atacante Edmundo também acabou vendido para o Palmeiras, e superou Edílson como atleta mais caro do país. Não demorou muito para que os dois trocassem socos no vestiário do Palestra Itália, como revela o baiano na segunda parte desta conversa. Ao lado do Animal, agora seu padrinho de casamento, Edílson acumulou títulos e decepções. O Campeonato Brasileiro de 1993, em cima do amado Vitória, rendeu ameaças de morte à família. O Paulista de 1995, perdido para o Corinthians, culminou em uma lamentação silenciosa por ter entrado em campo com febre.

Como você foi recebido no Guarani?
Edílson Love Story: Encontrei um monte de gente famosa lá: Amoroso, Luizão, Edu Lima, Tiba, Raudnei, Missinho, Fernando, Garça, Gustavo, o tal de Caíque… Era uma galera muito conhecida. Quando cheguei a Campinas, já segui para Campos do Jordão para me concentrar com esse pessoal na pré-temporada do Guarani. Fiquei no mesmo quarto do Caíque, um ex-meio-campista do Corinthians, feio demais, parecido com o Baby da Família Dinossauros. Ele era parceiro pra caramba, mas só me chamava de “juvenil” e dizia que mandava no nosso quarto.

Quem era o seu técnico?
Fito Neves. Meu irmão mais velho já tinha sido treinado por ele em Salvador. E Fito possuía uma escolinha de futebol na Bahia, chamada “Fito e Douglas”, onde joguei um mês. No Guarani, cheguei para ele e disse: “Professor, eu era da sua escolinha. O senhor não está lembrado, mas fiquei um período lá com você”. Ele pegou a camisa 10 e fez assim [Edílson oferece o CD de uma de suas bandas para imitar o gesto de Fito Neves]: “Tome. Essa camisa é sua”. Era a número 10 do Guarani, um time que tinha Edu Lima, Amoroso, Tiba, campeão pelo Bragantino, Aílton, que jogava com o Zico no Flamengo, e Adriano, revelação da seleção brasileira sub-20. Não acreditei que aquela camisa era minha. Pensei mais ou menos assim na hora: “Rapaz, o que é isso? Eu estava no Tanabi há até pouco tempo e agora já sou o camisa 10 do Guarani. Vou estrear daqui a cinco dias diante da Portuguesa, no Canindé, contra o Denner. As comparações entre nós dois virão”. Passou um filme na minha cabeça. O meu estilo de jogo era igual ao do Denner. E a estreia era contra ele, em um jogo televisionado ao vivo, às 11 horas da manhã, para todo o Brasil. Porra!

Seus companheiros não ficaram enciumados quando você recebeu a camisa 10?
Também achei que fosse ter rejeição, mas não houve nada disso. Se aconteceu, não fiquei sabendo. Acho que fui bem tratado até por ter me destacado nos treinamentos. Eu era muito menino, sem maldade nenhuma, e fazia amizades facilmente. Os caras pensaram: “Vamos ajudar o moleque. Ele joga muito. Vamos ver no que vai dar. Se o treinador escolheu, é porque ele tem capacidade”. Estreei bem contra a Portuguesa, mas o jogo acabou 0 a 0.

Conversou com o Denner na partida?
Preferi ficar na minha para evitar comparações. As pessoas também podiam achar que eu queria aparecer se tivesse uma atitude diferente. Afinal, eu estava vivendo em um mundo que ainda não era o meu. Eu não passava de um anônimo até pouco tempo atrás. E, daquela partida em diante, comecei a ver atletas renomados para todos os lados. A minha família fez uma grande festa em Salvador para comemorar. Minha mãe convidava todo mundo para assistir na casa dela aos meus jogos.

O sucesso veio rápido depois da estreia pelo Guarani, não é?
Veio. Fiquei apenas seis meses no Guarani e já fui vendido. Foi a maior contratação de um time brasileiro na época, feita pela Parmalat. Quinze dias depois de me comprarem, pagaram um pouco mais para tirar o Edmundo do Vasco. Só que ele já estava cotado para a seleção brasileira, enquanto eu não passava de uma revelação. Fiquei 15 dias sendo o jogador mais caro do Brasil.

Como você recebeu a notícia de que havia sido negociado com o Palmeiras?
Eu estava em São José do Rio Preto, na preparação do Guarani para o Campeonato Paulista, sem saber de nada. Seu Beto Zini [presidente do Bugre] veio até mim e falou: “Bora, levanta. Já para o Palmeiras. Eles te compraram”. Eu disse: “Como assim?”. Era a época da Parmalat, entende? Eles estavam levando todo mundo. O Roberto Carlos saiu do União São João de Araras e já tinha se apresentado ao Palmeiras. Depois de mim, vieram Edmundo, Evair, Zinho e o time começou a ser montado. Fiquei ainda mais assustado quando soube quanto pagaram por mim. Eu tinha sido comprado pelo Guarani há seis meses por R$ 150 mil, aproximadamente. E me venderam por US$ 1,5 milhão para o Palmeiras. Foi uma valorização monstra. Lembro que o Seu Beto Zini foi muito correto e obrigou a Parmalat a me pagar os 15% da transação. Era muita grana. Fiquei rico!

O que você fez com essa bolada?
Comprei um carrinho e uma casa para a minha mãe, que é onde ela mora até hoje. Também comprei um carro para mim em São Paulo. Nas concentrações do Guarani, embaixo do estádio, eu ficava babando o Kadet vinho de um diretor do clube, o Nenê Brito, que agora trabalha para a Puma. Assim que ganhei um dinheirinho, liguei para ele e perguntei: “Quer vender esse carro, Nenê? Traga aqui porque eu vou comprar”. Ele deixou o Kadet lá no Palmeiras para mim. Fiquei um bom tempo com o carro.

Você encontrou outro elenco cheio de estrelas no Palmeiras. Não tinha briga de egos?
Só tinha isso. O tempo inteiro. Acho que a maior missão de um treinador de um time cheio de estrelas é saber controlar as vaidades de todas elas. Lembro muito bem de várias brigas e tumultos dentro do Palmeiras por causa das estrelas do time.

Inclusive daquela briga do Antônio Carlos com o Edmundo?
O Palmeiras naquela época funcionava da seguinte forma: eu não falava com o Antônio Carlos, que não falava com o Edmundo, que não falava com o Evair, que não falava com o Roberto Carlos. A ordem não é exatamente essa, mas era assim. A gente brigava sempre, quase todo dia. Mas dava certo dentro de campo porque todo mundo conseguia fazer a diferença.


Com quem foi a sua discussão mais acirrada no Palmeiras?

Tive uma briga muito feia com o Edmundo no intervalo de um jogo entre Palmeiras e Bragantino, no Parque Antártica. Foi briga mesmo, de dar bastante porrada. Parecíamos dois lutadores de boxe. E o pior que todo mundo ficava gritando: “Não separa, não, deixem os dois brigando aí!”. O Wanderley Luxemburgo, então, colocou o Edmundo de um lado e eu do outro e disse: “Os dois vão jogar! Se um não passar a bola para o outro, tiro os dois do time!”.

Mas por que vocês brigaram?
Aos 44 minutos do primeiro tempo desse jogo, quando a gente já estava ganhando por 2 a 0, subimos eu e o Edmundo ao ataque contra um zagueiro. Eu tinha duas opções na jogada: passar a bola para ele ou driblar o jogador do Bragantino para fazer o gol. Fingi que fui tocar, cortei o zagueiro e avancei sozinho para marcar. Mas, como estava distante do gol, esse mesmo zagueiro se recuperou no lance e fez a falta por trás. Naquela época, dificilmente expulsavam quem fazia essas faltas mais duras. O árbitro reclamava; dava um cartão amarelo no máximo. O cara levou o cartão, e o Evair cobrou a falta no travessão do gol das piscinas do Parque Antártica. Só que o Edmundo veio para cima de mim após a jogada e começou a me xingar: “Seu filho da puta! Passa a porra da bola!”. E ainda me deu um tapa, “pou”, empurrando o meu rosto. A torcida fez “uuuh”. Eu logo pensei: “Rapaz, tomei um tapa desse cara na frente de todo mundo? Vai ficar feio”. Não dava para revidar dentro de campo, senão eu e ele seríamos expulsos. Foi quando o juiz fez “pri” e encerrou o primeiro tempo. Tirei a camisa, desci para o vestiário correndo, antes de todo mundo, e fiquei só olhando pela fresta daquela porta de madeira que tem ali. Quando o Edmundo passou, negão, tomou um soco no meio da cara. Nem ele sabia de onde tinha vindo a pancada. A gente se atracou feio. Foi quando os outros jogadores gritaram: “Deixem os dois brigando aí!”.

E para voltar para o segundo tempo depois dessa confusão?
O problema não foi só o segundo tempo. Ficamos cinco meses sem conversar. Jogávamos no mesmo time, tínhamos os mesmos amigos e frequentávamos os mesmos lugares, mas a gente não se falava. Ainda assim, o Palmeiras superava os problemas do cast da Parmalat. Fomos campeões brasileiros em 1993, quando marquei gol na final contra o Vitória, no Barradão.

Como foi fazer um gol contra o time da sua cidade? O Vampeta estava do outro lado?
O Vampeta estava na reserva do time deles. Para mim, foi uma loucura só. Meu irmão me zoa até hoje. Ele ficou dividido, até porque eu estava surgindo naquela época. Mas teve o lado ruim da história. Minha mãe foi ameaçada de morte e perseguida pela torcida do Vitória. A gente precisou andar com seguranças depois daquele jogo. Alguns torcedores não aceitaram que um baiano viesse a Salvador para dar o título brasileiro para uma equipe paulista.

Você temeu alguma represália mais grave?
A gente fica assustado quando isso acontece. A minha mãe e eu não tínhamos as cabeças de hoje. Não fazíamos noção do que estava acontecendo com a nossa família, pois não fomos acostumados àquela coisa toda. Mas logo em seguida fui emprestado para o Benfica, que também era parceiro da Parmalat. Pendurei até uma fotografia minha naquela parede, olhe ali: sou eu no Benfica, no estádio da Luz. Fiquei um ano lá.

Depois desse título brasileiro e da transferência para o Benfica, então, você começou a sentir que já era uma realidade no futebol?
Não. Só vim ter essa convicção com 30 e poucos anos. Sempre tracei metas na minha vida. Terminei de alcançá-las após o pentacampeonato mundial pela seleção brasileira. Foi aí que falei para mim mesmo: “Agora não tenho mais nada a conquistar. Já sou campeão mundial. Cheguei ao topo”. Porque eu já havia sido eleito duas vezes o melhor jogador do Campeonato Brasileiro, ganhado um Mundial de Clubes, três Brasileiros, três Campeonatos Paulistas, um Carioca, um Baiano, um Japonês e uma Copa Sul-Minas. Fui campeão por todos os lugares onde passei. Quando venci também a Copa do Mundo, acabou. Se tivessem apenas Campeonatos Brasileiros no meu currículo, eu poderia ficar marcado como um jogador caseiro, sem títulos internacionais.

Ter jogado pouco tempo na Europa é uma frustração na sua carreira?
Naquela época, era meio complicado. Eu recebia mais dinheiro no Brasil do que na Europa. Mas obtive reconhecimento internacional através da Copa do Mundo. Joguei quatro dos sete jogos do Mundial. Não fui um mero figurante. Achava até que ganharia a posição de titular nos treinamentos. Nas Eliminatórias, o Luizão e eu salvamos o Brasil. Marquei um gol contra o Chile, em Curitiba, e outro na Bolívia. No último jogo, com a Venezuela, fiz uma partida de Maradona. De Maradona, não. De Pelé. Além de tudo isso, de ter funcionado bem na Família Scolari, joguei algum tempo no Benfica. Tudo o que aconteceu comigo foi coisa de Deus. Saí de um time amador da Bahia e fui longe na vida.

Foi fácil para um baiano se adaptar a Portugal?
Foi legal, viu? Gostei muito de Portugal. Tenho amigos lá. Aprendi a gostar do Benfica e sou respeitado pelos torcedores portugueses. Eles me conhecem como o Pequeno Grande Homem, pois sou muito pequeno e fazia coisas de grandes dentro de campo. Lembro que tive uma despedida emocionante do Benfica. Nós ganhamos por 2 a 0 do Sporting, com dois gols meus, e precisei sair do estádio direto para o aeroporto. As minhas malas já estavam prontas. Essa pressa toda era porque eu devia ser inscrito pelo Palmeiras para jogar a final do Campeonato Paulista, aquela disputada em Ribeirão Preto. Perdemos por 2 a 1 para o Corinthians, com um gol marcado pelo Elivélton na prorrogação. Lembra?

Lógico. Então você voltou a São Paulo e já jogou uma final contra o maior rival?
Eu era da Parmalat, sabe? Queria ficar no Benfica, mas não tinham dinheiro para me comprar. Apesar de o parceiro ser o mesmo, havia burocracia para a Parmalat da Europa comprar da Parmalat do Brasil. O Benfica não quis pagar porque me valorizei e encareci. Só que eu até tinha intenção de voltar ao Brasil para jogar aquelas finais.

Mas o Palmeiras perdeu o título para o Corinthians.
A gente tinha tudo para ganhar. No primeiro jogo, o Roberto Carlos foi bater forte e desperdiçou um pênalti. A nossa equipe era um timaço, formado por mim, Cafu, Muller, Mancuso, Amaral, Antônio Carlos, Rivaldo, Flávio Conceição… Mas não foi possível derrotar o Corinthians em Ribeirão Preto. Ainda levei um baita azar porque joguei aquela final com febre.

Precisou pedir para o técnico para jogar sem as melhores condições?
Não falei nada para nenhuma pessoa. Isso é um segredo meu, que ninguém jamais soube. Nunca revelei. Estou contando pela primeira vez agora. Mas não joguei mal a decisão. Poderia ter sido pior. Eu sentia muita febre já no início do jogo, e fazia um sol enorme em Ribeirão Preto. O tempo ia passando e eu piorava, pois estava me desgastando cada vez mais. Pedi para sair no segundo tempo. Não dava para continuar. Depois que tudo passou, não era legal nem correto contar que entrei em campo doente. Seria antiético. Todo mundo diria que era uma desculpa.

Qual time foi melhor? Esse Palmeiras do início da década de 1990 ou o Corinthians do final daqueles anos?
Só posso dar a minha opinião na condição de atleta, que vivenciou os dois momentos. Particularmente, como jogador, o Corinthians foi melhor. Eu era mais maduro quando fui para o Corinthians, com muitas conquistas na bagagem. Já tinha um poder de liderança maior. Podia participar das decisões e ser um formador de opinião dentro do grupo. Fui várias vezes o capitão do time, o camisa 10. Eu me desenvolvi muito mais no Corinthians.

Você acha que ficou mais conhecido como o Edílson do Corinthians? Ou como o Edílson do Palmeiras, do Vitória, do Flamengo, do Japão…?
Eu me fiz essa mesma pergunta há poucos dias, sabia? Como possuo uma ligação tão forte com todos os times que defendi, cheguei à conclusão de que sou igual ao Love Story, “a casa de todas as casas”. Sou o Edílson de todos os times [risos]. Devo tudo ao Palmeiras, pois foi a equipe do meu início de carreira, mas também sou ligado demais ao Corinthians. A mesma coisa aconteceu com o Flamengo, e fui à Copa do Mundo pelo Cruzeiro. Marquei história no Japão. Fiquei só nove meses nos Emirados Árabes, mas essa época também mexeu muito comigo. Você não imagina o quanto tudo foi bom.

Não teve dificuldades para morar no Japão e na Arábia?
Sempre me adaptei aos lugares onde morei. Nunca quis que os lugares se adaptassem a mim. Eu me virava, meu velho. Tirei até carteira de motorista no Japão. Na Arábia, tinha um motorista que me levava para todos os lados. Mas era eu quem falava um inglês meio torto para fazer pedidos nos restaurantes, essas coisas. Também sabia me comunicar bem em japonês, mas agora estou meio enferrujado. Estudei bastante o idioma. Treinava de manhã e à tarde no meu clube no Japão e ia ver aula à noite.

Você devia se destacar muito no Japão, já que chegou lá quando o futebol ainda estava começando a virar febre.
Exatamente! Quando vou ao Japão, sou ovacionado pelo povo. É assim também na Arábia. Não tenho o que reclamar de nada. Como eu disse, a minha ligação com todos os times é muito grande. Porque eu sempre fui aquele cara que vestia mesmo a camisa dos clubes, que brigava em campo pela minha equipe. As torcidas reconhecem isso. Mas lógico que todo mundo se lembra mais do Capetinha do Corinthians e do Flamengo, até porque a passagem pelo Palmeiras foi no início da minha carreira.

Os palmeirenses também ficaram magoados depois que você se transferiu para o Corinthians.
E teve o lance das embaixadinhas. O elo com o Palmeiras desgastou um pouco por causa daquilo. Mas quero até aproveitar esta entrevista para agradecer à torcida do Palmeiras, pois a minha história também foi muito bonita lá.


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*Segunda das três partes de entrevista originalmente publicada na Gazeta Esportiva, em 2009. Meses depois, Edílson abriu mão da aposentadoria para jogar pelo Bahia.
**O autor enfrenta problemas técnicos.

Helder Júnior escreve às quintas-feiras para o Sete Doses

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