Vou por aí encontrando você nas placas dos carros embaçadas pelos meus olhos que não brilham mais como antes.

Não há mais sentido,  o único é estar no meio do que importa. E o que importa agora é a falta de lógica das madrugadas da minha cabeça. Parada entre o sinal vermelho e o verde.

Faz 60 dias que as noites tomaram proporções assustadoras e apaixonantes. No meio das minhas ilusões aparecem frases em neon e beijos imaginários. Já é de manhã e você precisa ir embora da minha máscara de dormir. Embora do meu (in)consciente.

Arranque de mim o que eu finjo saber lidar e me leve para seu peito. Ou dê algo que me faça esquecer. E, entorpecida, lembrar meu real vício.

Eu não posso sentir mais isso. Meu direito foi cassado. Com processos e promissórias. Com sangue e falta de vontade E ninguém tem o direito de me fazer sangrar de novo. Por favor, facilite.

Ana Luiza Ponciano escreve aos sábados no Sete Doses

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