– Dói quando eu faço isso?
– Um pouco, Dr., será que você pode me dar uma água?
– Claro, mas me explica, ao que essa dor te remete?
– Ai, Dr., uma angústia.
– Isso, estamos no caminho certo. Me conta da sua primeira vez.
– Ai, Dr., que absurdo.  Por que você esta perguntando isso?
– Não se preocupe. Eu sou profissional. Pode se abrir?
– Abrir mais, Dr.?
– Não, aqui está tudo certo. Mas abra seu coração.
– É que foi traumático, Dr. Ele não me amava e eu sabia disso. 

Depois de anos de estudo prático da cabeça feminina, Alexander decidiu ir a fundo. Passou no curso de psicanálise e virou o melhor profissional da cidade. Mas ainda não era suficiente, o rapaz resolveu conhece-las mais a fundo. Virou médico, especializando-se em ginecologia.

No começo sentiu que nunca consegueria achar uma conexão entre as duas profissões, mas descobriu o método. Abriu o primeiro consultório de um ginecologista psicanalista. E mesmo sem todas as clientes saberem disso, ele tentava ao máximo associar o corpo feminino e a sua parte mais complexa: o cérebro.

– Isso é psicológico, menina. Vc não tem nada.

– Agora você só precisa passar una ponadinha e pronto.

– Veja bem, você não pode deixar que a sua infância retome toda vez que você vá fazer sexo.

– A formação dessa gordurinha é com certeza reflexo do que você esta sentindo na vida inteira. Sabe?

As mulheres foram se acostumando e o método funcionando. Alugou uma sala em um prédio chique e começou a atender as madames da cidade. Um dia, o marido de uma delas desconfiado que estava tendo um caso com o psicanalista, foi ao escritório e começou a ouvir atrás da porta. Tudo que ouviu foi.

– Pronto. Acabou. Pode colocar a roupa.

Arrombou a porta e ela estava lá, quase sem calça. O marido não teve dúvidas, matou o médico sem dó.

Ana Luiza Ponciano escreve aos sabados no Sete Doses

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