Tenho uma curiosidade até então inconfessa por classificados. Embora o costume tenha diminuído ultimamente, vez ou outra ainda corro os olhos pelas maravilhosas oportunidades que estampam e salvam nosso jornais por aí. 

Começou como uma mania de ler absolutamente tudo o que parecia ter sido codificado com uma seleção não-aleatória do alfabeto. Mais ou menos como ler bula de remédio e adesivo de xampu até o fim, duas vezes.

Com o tempo, comecei a saborear a ideia de me tornar cúmplice de cada vendedor. No meu teatro mental, embora lamentasse minha total falta de interesse na concretização da venda, me solidarizava com o anunciante pela provável ausência de outros interessados. Concordávamos, dedos em riste, sobre o descaminhos das novas gerações.

Nunca realmente precisei ou fechei qualquer negócio que encontrei em um anúncio classificado, mas sempre me intrigou a maneira como alguns são tão bons que te incitam a comprar qualquer artigo ou serviço de que não necessita.

Lembrei disso porque por estes dias eu andei consultando o Loquo, que já resgatou alguns desses prazeres. O Loquo é um classificadão espanhol online, nos moldes do Craiglist, onde se encontra tudo: de apartamento em Sevilla com um casal de cachorros para alugar nas férias a Daniela – “una chica dulce, sutil, sensual y romántica” para encontros casuais.

Posso estar enganado, mas não me lembro de algum site brasileiro que cumpra a mesma função. O Zap, do Estadão, mais atrapalha que ajuda com a interface e o sistema de busca específica. Mesmo com um layout tosco, o Loquo dá mais resultado em menos tempo, além de ser mais abrangente. O da Folha mal vale a menção, mas o Primeiramão faz jus à tradição e traz boas opções com simplicidade, embora tenha poucos critérios de busca. 

De qualquer maneira, dá para achar ótimas pérolas. Ao menos para mim, que tenho estranhas predileções e manias.

Ricardo Torres escreve às terças-feiras para o Sete Doses

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