Trabalhava. Desde o início. Desistiu na metade. Ergueu o dedo indicador, como se precisasse de consentimento para falar. A mulher à direita cedeu àquele apelo por atenção. Ele fez uma concha com a mão esquerda, e ela prontamente lhe emprestou o ouvido para um cochicho – ganhou apenas um sopro molhado na orelha em um primeiro momento. Não contente, ele usou o beiço para coçar o seu bigode suado; alguns pelos aproveitaram para descer entre os dentes, a caminho da língua. Decidiu abrir bem a boca. E arrotou no final.


Helder Júnior arrota textos na orelha das quintas-feiras do Sete Doses

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