Quando cinco operários se reuniram na esquina das ruas Cônego Martins e José Paulino, no bairro do Bom Retiro, na cidade de São Paulo, à luz de um lampião, a ideia era criar um time de várzea. A sanha criadora, porém, superou a expectativa inicial e fez surgir clube e torcida únicos na história do futebol brasileiro.

No seu nome, está um pouco da sua história e do rumo que tomou: Sport Club Corinthians Paulista. Nenhum clube é tão paulista quanto o Corinthians e nenhuma equipe tantas vezes faturou o título do Campeonato Paulista: 26.

O 15º, também por ser marcado por uma efeméride, foi um dos mais históricos. Em 1954, ano do quarto centenário da cidade de São Paulo, o Corinthians vivia os seus anos dourados, com craques como Gilmar, Luizinho e Baltazar, dirigidos por Osvaldo Brandão. E a conquista veio, com uma rodada de antecedência, após um empate por 1 a 1 com o Palmeiras.

O título foi muito comemorado, mas seria muito mais se o torcedor corintiano soubesse o que viria pela frente. O Corinthians parou de vencer, mas a torcida não parou de crescer. Foi quando o adjetivo fiel virou substantivo, apelido e nome próprio para o torcedor corintiano.

A Fiel também adotou um outro adjetivo para a sua história: sofredor. Foram anos de sofrimento e de fidelidade posta à prova. E ela sofreu arranhões, quando a torcida obrigou Rivellino, maior jogador da história corintiana, a deixar o clube, mesmo contra a sua própria vontade, amor e desejo de ser campeão pelo clube, depois de perder a final do Campeonato Paulista de 1974.

Foram 22 anos, oito meses e sete dias de uma longa espera. Mas a espera mais agonizante começou aos 36 minutos do segundo tempo entre o gol libertador de Basílio contra a Ponte Preta e o apito final de Dulcídio Wanderley Boschila.

Libertado de novo campeão paulista, o Corinthians passou a luta pela libertação do seu país. Liderados por Sócrates, o clube passou a viver sob a Democracia Corintiana, que decidia pelo voto desde até sobre as contratações do clube, em autogestão. O time conseguiu bons resultados, faturou dois títulos estaduais (1982 e 1983), mas durou pouco. E o Doutor, já com a missão de mudar o time cumprida, foi embora para a Itália, já que a eleição direta para presidente não foi aprovada pelo Congresso Nacional.

O próximo desafio corintiano era conquistar o Brasil. O clube mais paulista do mundo foi a última equipe grande do País a faturar um título nacional. Foi preciso que uma geração de jogadores raçudos (Ronaldo, Márcio, Wilson Mano e Tupãzinho) se unisse ao talento de Neto para que o time faturasse o Campeonato Brasileiro de 1990.

O camisa 10, responsável maior pela conquista, seria mais um a entrar para entrar para a galeria de craques erráticos do clube (Sócrates, Marcelinho Carioca, Ronaldo…). Vindo do Palmeiras, conquistou o seu espaço com cobranças de faltas perfeitas e jogadas mágicas.

A Era Neto terminou em 1993, com a ida do craque para o futebol colombiano, e a Era mais vitoriosa da história começou logo depois, com Marcelinho Carioca. Foram oito título conquistados entre 1995 e 2001, marcados também pelas cobranças de falta e as finalizações e passes precisos do Pé de Anjo.

Campeão nacional pela primeira vez em 1990, o Corinthians tomou gosto e faturou mais seis títulos nacionais em 19 anos. Em 1998 e 1999, sobrou no Brasileirão venceu os dois rivais mineiros nas finais, com um elenco que esbanjava talento, formado por craques, como Gamarra, Vampeta, Rincón, Marcelinho e Edílson.

Não havia mais o que conquistar no Brasil. Faltava o mundo. Não foi possível vencer pelo caminho mais usual, mas o Mundial de Clubes de 2000, organizado pela Fifa no próprio País, permitiu uma chance de ouro, aproveitada com um vitória nos pênaltis sobre o Vasco, no Maracanã, na grande final.

Com Tevez e mais uma parceira firmada por Alberto Dualib, o Corinthians faturou o seu quarto título do Campeonato Brasileiro em 2005, num torneio manchado pela venda de partidas por parte do árbitro Edílson Pereira de Carvalho. Mais importante, porém, é que, naquele momento, o time só tinha menos títulos do Campeonato Brasileiro.

O Corinthians, porém, foi ao fundo do poço pouco depois. Caiu para a Série B e voltou ainda mais fortalecido. No final de 2008, ousou e fez o que parecia impossível. Repatriou Ronaldo e ajudou na recuperação do atacante. O Fenômeno retribuiu com mais uma volta por cima, gols em todos rivais, um título estadual invicto e mais uma conquista do Brasil.

E se nem o mais otimista fundador poderia imaginar que o Corinthians poderia alcançar tantos feitos em 100 anos, ao menos Miguel Bataglia, primeiro presidente do clube, sabia muito bem o que dizia: “O Corinthians vai ser o time do povo e o povo é quem vai fazer o time”.

Inconscientemente ou não, Gilmar, Ronaldo, Dida, Felipe, Idário, Wladimir, Zé Maria, Domingos da Guia, Ditão, Del Debbio, Gamarra, Brandão, Biro-Biro, Vampeta, Rincón, Carbone, Luizinho, Neto, Rivellino, Roberto Belangero, Sócrates, Marcelinho Carioca, Cláudio, Baltazar, Casagrande, Flávio, Viola, Edílson, Ronaldo, Carlitos Tevez, Ronaldo, Osvaldo Brandão e Mano Menezes foram alguns dos responsáveis por fazer o povo corintiano mais feliz nos últimos 100 anos.

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

Anúncios