A festa foi estranha, mas sua principal atração conseguiu levantá-la, a tornando especial. É assim que pode ser bem resumida a vitória da seleção brasileira por 3 a 0 sobre a Guatemala, em amistoso disputado no estádio do Pacaembu, na cidade de São Paulo, em abril de 2005.

Campeão mundial em 1994, Romário teve a sua despedida pela seleção brasileira misturada com a festa de aniversário de 40 anos de fundação da TV Globo. O dono da festa, porém, era só ele, mesmo que em um palco pouco usual, contra um adversário ainda mais estranho.

Houve temor de que o Pacaembu não lotasse, mas o povo paulistano mostrou que, apesar de ter construído quase toda sua carreira no Rio, Romário não era um ídolo carioca. O estádio encheu e reverenciou um dos maiores centroavantes da história do futebol brasileiro e mundial.

Aos 39 anos, Romário chorou ao ouvir o hino nacional pela última vez como jogador da seleção, depois de muitas histórias de sucesso e polêmica, que terminaram em uma despedida de 38 minutos.

Nesse curto tempo para encerrar uma parceria de êxito, Romário deu passes precisos, recebeu um cartão amarelo, fez gol impedido, cobrou falta e, claro, deixou a sua marca com o estilo que o consagrou: um gol de oportunismo, comemorado com uma mensagem por baixo da camisa da seleção brasileira.

Aos 16 minutos, Ricardinho teve a honra de servir Romário com um bom cruzamento. Sem marcação e com o goleiro fora da meta, o Baixinho cabeceou com precisão e, aos 39 anos, chegou aos 62 gols pela seleção brasileira. Um número incontestável, mesmo que frio.

Frio, mas construído com um vice-campeonato olímpico, o título da Copa América de 1989 no Maracanã, lesões dolorosas que o atrapalharam nas Copas do Mundo de 1990 e 1998, desentendimentos com Parreira, Zagallo, Luxemburgo e Felipão, a sofrida classificação para a Copa de 1994 e o posterior título mundial, e a certeza de que todo jogo é especial com Romário em campo.

Certeza que existe porque o Davi do futebol brasileiro sempre derrubou os Golias dos adversários. E, por isso, o nó na garganta do Baixinho destemido e arrogante durante a sua volta olímpica de despedida da seleção brasileira também era o mesmo do torcedor por ver a confirmação de que o tempo é quase invencível. Só perde mesmo para a memória. E Romário faz parte desse time.

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

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