– A culpa é sempre do jazz.

– Por que você tá dizendo isso?

– Porque antes do jazz você era apenas o amigo do meu amigo, que não tinha muito a oferecer (na minha cabeça) e que nunca mudaria a minha vida.

– E agora você acha que eu posso mudar sua vida só por causa do jazz?

– Acho que o vinho também ajudou essa conclusão. Mas me diz, você quer mudar minha vida?

– Quero.

– Percebe que mudar minha vida é coisa demais? Qual seu plano?

– Eu não tinha um plano ainda. Você tá tensa, né? Calma, vou mudar de cd.

– Billy?

– É, faz parte do meu plano.

– Me conta mais do plano que não existia até então e agora existe.

– É fácil, tudo o que eu preciso é deixar você calma. Fazer você sorrir, relaxar,  não pensar mais em planos, mostrar aos poucos os meus defeitos, contar algumas vantagens – aliás, já te disse que fui no show do The Cure – e pronto.

– Droga, The Cure, assim você não facilita. Fiquei mais tensa ainda. Te contei que eu achei minha vida toda que o Robert Smith era gay e um dia descobri que ele não era e voltei a acreditar nos homens.

– Ele não é?

– Não.

– E isso te fez voltar a acreditar nos homens?

– É.

– E você tá tensa ainda?

– Menos, voltei a acreditar nos homens com essa conversa.

– Por minha culpa, ou pelo Robert Smith?

– O que você acha?

 

Ana Luiza escreve ficções sobre mulheres desamparadas e tensas aos sábados no Sete Doses – mas na vida real ela é forte  e segura (hahah)

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