Vai graxa? É só R$1. Só pra me dar uma ajuda, vai? To quase acabando a minha noite.

Meu nome? Diogo. Não, não sou daqui. Todo mundo percebe meu chiado, né? Vim pra cá procurar o meu pai, que fazia 10 anos que eu não via ele. Mas não encontrei. Daí fiz a besteira de trazer a minha mulher, né? Tamo passando muita dificuldade. Lá em Goiânia era muito melhor. Uma engraxada era pelo menos R$5. Hoje eu to morando na pensão da Dona Lúcia, perto da rodoviária. To pagando R$10 por dia. Mas ela é boa, já me deixou juntar 3, 4 dias para pagar de uma vez. É só procurar pelo goiano. Mas procura direto, porque lá tem morando muita gente ruim, muito jagunço.

Faz 5 meses que eu to trabalhando pra juntar dinheiro pra gente voltar. Se não tivessem roubado a minha mulher, a gente já podia ter ido embora. Ela não sabe quem foi. É aquele pessoal de em volta da rodoviária. Roubaram foi R$350. Com uns R$450 a gente voltava para Goiânia, porque a gente tem dois filhos, né? Aí tem que ter o dinheiro da passagem e um pouco pra comida, essas coisas, pra gente não passar mal na viagem. Só precisa de três passagens, o menino mais novo é pequenininho, pode ir no colo.

Minha mulher briga todo dia comigo, falando que a culpa é minha…. e o pior é que é minha mesmo, né? Falta só R$1,5 pra inteirar a diária de hoje moço...

Impossível saber o quanto a história é verdadeira. Mas o interior do Maranhão é realmente um poço de miséria. Fácil imaginar que mesmo um engraxate de rua consiga piorar de vida migrando para lá.

André Esposito Roston escreve para o Sete Doses às segundas-feiras.

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