A seleção brasileira feminina de vôlei chegou aos Jogos Olímpicos de Atenas de 2004 com o objetivo de repetir o que a equipe masculina fez em 1992, quando faturou a sua primeira medalha de ouro. Com o mesmo técnico do feito de Barcelona – José Roberto Guimarães –, a conquista parecia ser palpável.

O Brasil iniciou o torneio olímpico fortalecido pela conquista do título do Grand Prix. E, amparada pela então revelação Mari, chegou invicto e com facilidade às semifinais em Atenas. Mas havia um tabu a se quebrar. Em 1996 e 2000, dirigida por Bernardinho, a seleção brasileira parou nas semifinais da Olimpíada.  E a adversária da vez era a poderosa Rússia.

A vitória, porém, começou a ser construída com extrema facilidade. O primeiro set foi vencido por 25/18. Na segunda parcial, as russas chegaram a abrir 21/16. Mas o Brasil, com uma reação impressionante, fez nove pontos seguidos e ficou a um set de disputar a sua primeira final olímpica.

No terceiro set, extremamente equilibrado, as russas reagiram e venceram por 25/22. Um revés que pareceu apenas um susto quando o Brasil abriu 24/19 no quarto set. A primeira final olímpica era questão apenas de tempo. Foi quando algo classificado como inexplicável por José Roberto Guimarães aconteceu. O Brasil cometeu cinco erros seguidos, sendo dois de Mari, permitiu a reação russa e perdeu a parcial.

Situação parecida se repetiu no tie-break. O Brasil abriu 12/9, mas o 24/19 ainda estava na memória e nos braços das jogadoras e a equipe perdeu. Foi eliminada na semifinal, viu o placar de 24/19 virar um sinônimo de fracasso e precisou de quatro anos para expurgar a derrota mais improvável da história do vôlei brasileiro. Chance que ícones como Fernanda Venturini e Virna nunca mais tiveram.

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

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