As mãos começam a pesar. Os dedos se movem vagarosamente sobre o teclado. Faltam-me forças para concluir um raciocínio e superar outro parágrafo. Como chegar ao fim, se já iniciei pelo meio? Ou com a justificativa? É melhor esquecer o argumento. Prefiro fechar os olhos, engolir uma dose e digitar mecanicamente. Deixar o tempo passar. Da mesma maneira que farei ontem e fiz amanhã – quando acabou a alegria do mês anterior, embora eu não tenha certeza sobre o passado. Porque sinto uma irresistível vontade de sorrir agora. Cedo apenas o canto da boca para o gesto sem sentido. Mas também abro o olho esquerdo. Uma verdade pela metade. E o momento perfeito para apresentar um ponto final: .

Helder Júnior escreve às quintas-feiras para o Sete Doses

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