Campanhas de saúde pública, no geral, correm sério risco de não serem boas. Ou tentam ser engraçadinhas, ou são sérias demais e não atraem quem deveriam ou simplesmente não funcionam.

Recentemente, uma série de suicídios de jovens americanos que sofriam bullying – a maioria por ser gay – gerou a campanha It Gets Better. Simples, direta e tocante, a campanha já conseguiu uma série de adeptos e parece atingir bem seu público.

A ideia é a seguinte: passar para esses jovens a mensagem de que por mais que no colégio existam babacas que vão transformar sua vida num inferno, daqui a uns anos, quando você for para a universidade (o grande rito de passagem para o jovem na sociedade americana), isso vai melhorar, porque vão te julgar pelas coisas que você faz, por quem você é, não de acordo com os preconceitos babacas das cidadezinhas conservadoras.

A campanha tem uma série de vídeos onde pessoas dão seus testemunhos sobre como a vida delas melhorou quando elas ficaram mais velhas e que não vale a pena se matar na adolescência,  pois assim você perde a melhor fase da vida, na qual você está no comando e escolhe o que te faz bem.

A Pixar, famosa produtora de animações, fez este emocionante vídeo com seus funcionários gays contando suas histórias. O Google fez a mesma coisa. A rede CBC também. Até o presidente americano Barack Obama entrou na onda e gravou seu depoimento.

 

 

Achei interessante e tocante porque a campanha não tenta tapar o sol com a peneira e dizer que não existem zoeiras na escola. Todo mundo passou por isso em algum momento da vida. Mas tenta dizer um “aguente firme, as coisas ficam melhores daqui a um tempo”.

Se você é gay, ou tem um amigo gay, ou se já sofreu algum tipo de bullying por algum motivo, com certeza vai se emocionar com esses vídeos. Na última sexta-feira estive em um evento com a presença do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Ele falou sobre respeitar as diferenças e colocou sob a mesma gravidade incidentes como a agressão a gays na avenida Paulista e o caso do rodeio de gordas. Concordo. São agressões da mesma forma e marcam do mesmo jeito a vida dos agredidos.

Aqui você conhece o site do projeto: http://www.itgetsbetter.org/

E aqui o link para o canal no Youtube onde é possível ver todos os vídeos enviados.

 

Thiago Kaczuroski, o Kazu, escreve às quartas-feiras no Sete Doses e acha bullying uma coisa idiota. Aos 10 anos apanhou na escola porque “não tinha pai”.

Anúncios