Estou encerrando um ano realmente maravilhoso. Comecei uma vida nova de trabalho; conheci muitas pessoas novas, espetaculares; rodei pelo Amazonas, Pará, Maranhão, DF, Ceará. Visitei desde interiores pobres como Santa Inês-MA até paraísos turísticos como Jericoacoara. Só o que me entristece no meio de tudo isso é um único grande vazio: não ter conseguido te falar sobre o meu deslumbramento.

Deslumbramento que não tem jeito, que acontece sempre, sem controle nenhum da minha vontade. Ahah, que eu já cansei de tentar espantar, como um fantasma! Esperando no carro, shopping, cinema, restaurante, cansei de me dizer milhares de vezes: vai chegar aqui uma garota normal, carne e osso, simples assim. E é claro que eu enxergo em você essa pessoa de carne e osso, que eu já adoraria (e adoro) encontrar porque acho uma ótima companhia, que demonstra interesses pessoais únicos (às vezes estranhos para pessoas que não são nerdinhas), que a cada dia me mostra uma coisa nova, um detalhe diferente seu.

Mas é mais que isso. De um modo ou de outro, um pouco mais ou menos marcada, vem sempre a mesma impressão. A cada vez que te vejo chegar é como se eu descobrisse a sua beleza pela primeira vez. E você é linda. Mesmo que eu não queira, é impossível não ficar encantado. Chega a ser chato de tão previsível e repetitivo como vou me sentir.

Fiquei muito feliz quando voltamos a nos ver, direito, no ano passado. Foi surpreendente, até meio estranho, sentir que eu continuava a gostar muito de encontrá-la, igualzinho como antes, mesmo depois de mantermos pouco contato por muitos períodos. Descobri e confirmei quase imediatamente muitas coisas boas quando voltei a te ver. Uma mulher inteligente, divertida, interessante, engraçada. Uma menina mau humorada e que fica com sono do meu lado… Também uma grande amiga, alguém em quem confio profundamente.

O que menos faz sentido é, apesar disso tudo, eu simplesmente não te dizer o impacto que você me causa, o quanto eu gosto verdadeiramente de você. E o que mais me dá agonia é te ouvir dizer o quanto eu sou muito tímido. A única coisa que tenho vontade de te responder é eu só sou muito tímido de lado de quem eu realmente gosto, que não sou nada (ou tão) envergonhado em outras situações (o que, vamos combinar, não é uma boa justificativa. Na verdade, é estupidez).

É estupidez e faz a gente cair no ridículo completo. Fiquei inconformado quando me disse uma vez que nunca tinha recebido flores. Como pode ser que nunca alguém tenha te dado flores? Bom, não sei se acredito nisso até agora. De todo jeito, logo saí por aí e comprei flores. Principalmente como forma de demonstrar o meu carinho. Mas também para me constranger a, quem sabe, te dizer alguma coisa.

Decidi que ia entregá-las somente no fim da noite. Afinal, se não agradassem, pelo menos não estragariam todo o programa. Grande erro… embaixo do banco, escondidas, como iriam me obrigar a entregá-las, ou a fazer qualquer coisa? Deixei você sair do carro para ir para casa sem te dizer nem te dar porcaria nenhuma. Joguei as flores no lixo. Ahah, e voltei para casa me xingando e pensando que eu realmente não merecia ter nascido homem!

Até hoje tenho sido muito frouxo para abrir essa porta, dizer como me sinto. E isso me incomoda demais, porque é algo extremamente simples. Não faço ideia, daqui de longe, no meio da Amazônia, se é um bom momento para escrever e trazer tudo isso à tona. Nem sei direito como estão as coisas com você agora. Sei lá. Eu só sei que gosto de você. Que estou com saudades. E que estou sentindo agora muita vontade de te dizer essas coisas. De apenas te dizer o óbvio.

André Esposito Roston escreve para o Sete Doses às segundas-feiras.

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