Janeiro costuma ser um mês difícil para o torcedor de futebol. A bola sai de campo e entram as especulações, promessas de dirigentes e jogadores e contratações de reforços duvidosos. Conta-se o tempo para a estreia do clube do coração na temporada, mesmo que seja em amistosos ou nos quase sempre insossos estaduais.

Este período também é desagradável para a imprensa e seus profissionais, que sofrem para conseguir falar com dirigentes e descobrirem se o que eles, e também os empresários, dizem são blefes ou realidade. Sem a bola rolando, as TVs precisam conseguir alternativas para a grade de programação.

Foi sob esse panorama que Luciano do Valle – então um dos melhores narradores e promotor de eventos esportivos – teve uma genial ideia no final da década de 1980. Criou a Copa Pelé, que depois seria chamada de Copa Zico e Copa do Mundo de Masters, e teve caráter semelhante ao de um Mundialito de veteranos.

A competição foi disputada entre seleções, recheadas de craques aposentados do futebol profissional, com as primeiras edições sendo realizadas no Brasil. Assim, a abstinência de futebol era quebrada em grande estilo, com uma reunião de ex-craques que lotou estádios como o Pacaembu e o Canindé.

O período era de seca no futebol brasileiro, carente de títulos desde a Copa do Mundo de 1970. E a competição reuniu talentos nacionais que não abundavam mais no futebol do País como no passado. Campeões de 70, como Jairzinho e Rivellino, e jogadores inesquecíveis como Cafuringa, Eder, Zico e Cláudio Adão desfilaram a qualidade rara que faz todos se apaixonarem pelo futebol. Todos sob o comando de Luciano do Valle, dublê de treinador. Mas, afinal, quando craques, precisaram de treinadores?

As outras seleções também tinham seus astros, como Mario Kempes, Gatti, Cláudio Gentile, Altobelli e Cabrera. Jogadores que sabiam atuar com a bola no pé, independentemente do condicionamento físico. E deram mais algumas demonstrações de como o futebol pode ser belo.

 

Confira o resultado de todas as finais da Copa Pelé:

1987 – Argentina 1 x 0 Brasil, em São Paulo – Gol: Felman

1989 – Brasil 4 x 2 Uruguai, em São Paulo – Gols: Cláudio Adão (3), Siviero, Rivelino e Cabrera

1990 – Brasil 5 x 0 Holanda, em São Paulo – Gols: Zinco, Serginho Chulapa, Eder Aleixo (2) e Cafuringa

1991 – Brasil 2 x 1 Argentina, em Miami – Gols: Bulleri, Edu e Zico

1993 – Itália 2 x 0 Áustria, em Trieste – Gols: Sara (contra) e Causio

1995 – Brasil 1 x 1 Argentina, em Klagenfurt (Brasil precisava apenas do empate para ser campeão) – Gols: Paulo Isidoro e Camisso

 

Leandro Augusto publica vídeos sobre esportes aos sábados no Sete Doses.

 

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