Mais de meio dia de atraso. Formatação errada que eu não consigo corrigir. Péssimo começo para essa conversa. Mas vamos lá.

É impressionante a força de vontade e a persistência que parte dos integrantes do Sete Doses demonstrou ao longo de TODO o tempo de existência do site. Gente que não desanima, que não tem preguiça. Que demonstrou diariamente – alguns de modo mais silencioso, sem chamar tanto a atenção, sem fazer alarde – a paixão por esse projeto. Que tem comprometimento. Em especial, não tenho como não fazer referência ao André Toso, ao Lex e ao Yuri, que, além do trabalho fenomenal, cumpriram e cumprem a tarefa importantíssima, e muitas vezes ingrata, de animar o grupo e tentar colocar as pessoas soltas, vagabundas e sem vergonha na cara para se mexer.

Eu, por outro lado, tenho sido, com raras exceções, um desastre constante. Meu tesão virou barriga inúmeras vezes.

Como já disse o André Toso mais de uma vez, olhando o lado positivo de tudo que acontece nesse projeto e assumindo o papel de liderança que tem sido desde o início, acho que já fiz coisas muito boas aqui nessa segunda-feira. Mas também acho que, no último ano, eu, mais do que qualquer outro membro do Sete Doses, tenho sido a pior mistura de posts de péssima qualidade seguidos de colagens de textos de terceiros e acompanhados de furos simplesmente injustificados. Devo a última sequência de qualidade de posts a Thiago Cicarino, que me honrou com muitos textos em momentos nos quais eu estava completamente afundado nos meus projetos pessoais.

Analisando essa situação, já me perguntei várias vezes o que me prende a esse treco. A primeira questão que me coloquei foi se eu apenas não tinha coragem de dizer que preferia deixar o Sete Doses. Essa, sinceramente, eu descartei com alguma facilidade. Em outras oportunidades, a problematização me levou a respostas que variaram usualmente entre três: vale a pena contribuir para o site, pela importância do que todos estão fazendo ali, pelo tanto que esse espaço é especial e único; é uma forma de estar próximo de pessoas que realmente são diferenciadas, que tem algo a dizer e me ensinar, e de quem eu gosto demais; quero desenvolver, pelo menos um pouco, a minha escrita, produzir e melhorar meus padrões, me exercitar, e dizer livremente um pouco do que eu quero, penso, sinto.

As duas primeiras respostas, hoje, não fazem sentido. Do jeito que eu estou, o site definitivamente não precisa da minha participação para continuar. E muito menos para enriquecer seu conteúdo. Talvez precise até de distância de mim. Além disso, o fato de escrever no site, infelizmente, não garante um contato de qualidade com os meus amigos. Essa é uma verdadeira ilusão, um fetiche que eu alimento vorazmente. Um fetiche sedutor, que eu adoro, e ao qual eu me agarro desesperadamente. Mas um fetiche.

 Aliás, principalmente se consideradas distâncias geográficas, dificuldades técnicas e a negligência crônica no dia-a-dia.  Recebi, há muito tempo, um e-mail do Andrezinho, cuidadoso como sempre, perguntando sobre como estava a vida em Manaus. E-mail que li e não consegui responder até hoje, já que a bosta da internet em Manaus travou umas 15 vezes porque não suporta o fluxo de informação de uma mensagem eletrônica! Para fazer os posts da cidade tive que, em 90% dos casos, ir a uma lan house. E esse não é o único ponto. O fato é que, por exemplo, acessar o site como um fã, coisa que eu invariavelmente faria e farei, leva a um acompanhamento mais ou menos igual de como estão todos os malucos do Sete Doses, independentemente de se estar escrevendo ou não para o site.

Acho que, se eu não voltar à terceira motivação, o tesão de escrever, fica tudo perdido de vez. E esse desafio eu gostaria de tentar enfrentar de verdade agora. Estou em uma fase em que, finalmente, estou um pouco mais tranquilo, estabilizado, para pensar nas minhas atividades pessoais prazerosas. De todo modo, sei que não tenho mais pique para escrever semanalmente. No fundo, a reestruturação do site é uma bênção para mim. É a única saída que consigo enxergar para continuar a participar de um modo descente, em que ainda me sinta confortável. Sem me perceber como um peso morto. Vou fazer o esforço para tentar aliar a nova freqüência de produção com a qualidade e o comprometimento que essa turma e esse projeto merecem. Se falhar, jogo a toalha de vez.

(Caramba, trocando só uma palavra ou outra eu poderia ter escrito um belo texto sobre o cônjuge desleixado que enrola o outro no meio da crise de um relacionamento)

André Esposito Roston escreve para o Sete Doses às segundas-feiras.

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