Na fazenda morava uma menininha de três anos, uma graça, linda, mas que não falava com nenhuma das pessoas que chegaram de fora. Bichinho do mato, achou o pessoal estranho, logo ficou desconfiada. Um dos estranhos, em vez de falar direto com a mãe da garota, como todos os outros, dirigiu-se a ela perguntando se podia entrar na casa, e qual era o seu nome. A menina, feliz, desembestou a falar com o novo estranho recém conhecido, e a brincar com ele. Mostrou sua bicicletinha e seu cavalinho. A moradia era bem simples, mas até que muito bem arrumadinha pela mamãe e pelo papai, que era trabalhador da fazenda.

Num certo ponto ela disse: “Mãe, mãe, vou mostrar pra ele onde é o nosso banheiro!” – e a mãe logo tampou a boca da menina, meio nervosa e constrangida. O estranho pediu, com todo o jeito, para a mãe deixa-la falar. A menininha levou-o para os fundos da casa e mostrou um gatinho no meio do mato, ao ar livre, em uma área que beirava o igarapé próximo da casa. “O banheiro da gente é lá onde tá o gato!”.

Era o córrego que era também utilizado para que as pessoas da fazenda tomassem banho, lavassem as roupas e coletassem água para beber. Água que vinha do pasto, onde era criado o gado da fazenda, que se servia do curso também para beber, defecar e, eventualmente, morrer.

André Esposito Roston escreve para o Sete Doses às segundas-feiras.

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