É preciso não esquecer nada:

nem a torneira aberta nem o fogo aceso,

nem o sorriso para os infelizes

nem a oração de cada instante.

 

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta

nem o céu de sempre.

 

O que é preciso é esquecer o nosso rosto,

o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.

 

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,

a idéia de recompensa e de glória.

 

O que é preciso é ser como se já não fôssemos,

vigiados pelos próprios olhos severos conosco,

pois o resto não nos pertence.

André Esposito Roston publica Cecília Meireles para o Sete Doses às segundas-feiras. Com a reformulação do site voltará a escrever alguma coisa que preste por aqui.

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