As ruas de Palermo. De acordo com as minhas contas, andei 10 km por dia em Buenos Aires

Buenos Aires, 27 de setembro de 2010 (23h30min)

Voltei a acordar muito cedo hoje para aproveitar a manhã.  A abertura do Congresso foi de tarde e ainda tive umas horas extras para dar mais uma chance para a Recoleta. Confesso que no dia em que havia visitado esse bairro estava tão melancólico e deprimido que ele me pareceu horrível. Não é assim. É um lugar que tem seu charme, coisas interessantes e tal. Peguei o metrô, parei em uma estação próxima e no caminho tomei o melhor café da viagem até aqui. Veio com uma espuma na consistência certa, daqueles bem tirados. Você não ia gostar, pois ele era forte. Acho que mesmo aqui você ia querer tomar café no Starbucks. Realmente seu gosto para café é uma lástima. Mas aceito essa diferença, até porque acho mais fácil fazer café aguado e sem açúcar, as chances de erro diminuem muito.

Andei até a Recoleta, parei em uma pracinha e fiquei olhando os casais deitados na grama, lembrando de Parques do Ibirapuera, Villa-Lobos e outros em que fizemos a mesma coisa. Cadê você aqui, porra? Enfim, como não tinha você, peguei meu livro do Cortázar e li dois capítulos. O argentino filho de uma mãe escreve muito. Aí andei, andei, andei e comprei uma blusa pra você que eu achava que era de Cashmere, como você havia pedido. Quando, no telefone, você me pediu para olhar o selo constatei que era pêlo de coelho. Porra!!! Mataram um coelho para fazer a blusa, os pêlos ficam saindo na mão e a qualidade ainda é ruim. A vontade é jogar fora essa porcaria.

Só consigo comprar coisas da Mafalda, sei lá os motivos. Mas achei em um sebo uma compilação de tirinhas dela por ridículos 30 pesos. É um livro de 200 páginas sensacional. Melhor compra cultural até aqui. Mesmo assim, fico assustado com os preços daqui pensando nos argentinos. Um lanche do Mcdonald´s, daqueles de preço barato, custa 10 pesos. No Brasil é R$ 5. Os caras pagam tudo em dobro por causa da desvalorização do peso. É impossível comer em um restaurante médio sem gastar pelo menos 40 pesos. Para nós é barato, para eles é uma fortuna. Imagine gastar todos os dias R$ 40 no almoço?

Minha obssessão pela Mafalda cresceu ao longo da viagem

Para conhecer um lugar novo, fui ao bairro onde fizeram uma estátua para o Carlos Gardel. Pela primeira vez deixei de sacar a câmera em um lugar por medo de ser assaltado. No pé da estátua, dois caras bem suspeitos ficavam só aguardando os turistas. Recuei e entrei em um shopping de esquina bonito de brilhar os olhos. Os preços equivaliam à beleza, impossível comprar algo. Buenos Aires continua sendo uma cidade muito cara.

Com os pés já doendo, resolvi andar mais. Peguei a Avenida Corrientes, conhecida pelos teatros, e fui indo embora em direção ao Obelisco. É muito fácil se localizar em Buenos Aires, as ruas são planejadas, a sinalização é boa. Quando cheguei a São Paulo em 2002, sem experiência nenhuma, tive muito mais dificuldade do que estou tendo aqui. Já me sinto um pouco morador, seria capaz de dar informações para turistas. Da linha verde do metrô, de Palermo e do centro conheci praticamente tudo. Quando não se anda de táxi em uma cidade é que verdadeiramente se anda. E andei muito a pé, contabilizo quase 10 km por dia, o que daria 100 km percorridos ao final da viagem. Não tenho noção, devo estar exagerando muito.

Exagero. Percebi que é isso que me faz ter empatia pelos argentinos. Para eles, uma boa experiência é a melhor de todos os tempos e uma má é uma tragédia de proporções homéricas. Tudo aqui é superlativo, é muito, é tudo. Quando falava para um taxista ontem sobre a maravilha que eram os cantos das torcidas argentinas, ao invés dele concordar, defendeu minha tese com ainda mais paixão. Em português, era um diálogo assim:

– Nossa a torcida cantando no ônibus, fiquei arrepiado. É maravilhoso!

– É fantástico, apaixonante. E quando sai gol? Meu deus, é sensacional!

Ficam dois exagerados reforçando um a tese do outro, como se fossem muito sortudos por poderem viver aquilo. O argentino, e isso que gosto neles, está sempre um pouco fora da realidade. Como eu e você.

Nesta hora, em que o estomago já estava nas costas, foi a que mais andei. A Avenida Corrientes é gigantesca e andei mais ou menos 3 km para chegar ao Obeslico. O que me deixou espantado foi o número de teatros e as filas enormes para compra de ingressos em plena segunda-feira. A galera sai do trabalho na hora do almoço para comprar ingresso. Aí almocei, peguei o metro e cheguei ao hotel em cima da pinta. Ducha rápida, vesti a fantasia e fui trabalhar.

A noite não há muito que comentar. Exausto, restou ligar para você, tomar um banho demorado e deitar no computador para apagar e-mails e preparar algumas perguntas para os caras que quero entrevistar amanhã. Ainda deu tempo de ler o livro da Mafalda, tomar uma coca e comer um salgadinho. Ah, quase esqueci, sofri um acidente doméstico. Estava tomando banho, levei um escorregão e cai. Como aqui as torneiras são na altura da bunda, bati o começo das costas, quase nas nádegas mesmo, contra elas. Sangue, dor e desespero. Nem tanto, mas ficou feio o machucado. Com a poupança dolorida vou dormir cedo porque amanhã começa uma maratona de palestras, das oito da manhã às seis da tarde. Uma delícia. Tenho saudades dos nossos finais de semana. Só faltam três dias.

André Toso escreve aos domingos para o Sete Doses

Buenos Aires, 26 de setembro de 2010 (01h28min)

Definitivamente enjoei do café da manhã do hotel. É sempre igual, a mesma coisa: ovos mexidos, medialunas, suco de laranja e salada de fruta. Chega a dar desânimo descer para comer, durante dez dias, as mesmas coisas. Nossos cafés de fim de semana são muito melhores e diversificados. E tem você. Aqui, ao contrário, um sujeito com cara de boliviano, sentou-se na mesma mesa que eu porque o hotel não está comportando tantos hóspedes. Muitos tiveram que esperar para tomar o café.

Hoje fez o dia mais bonito de todos em Buenos Aires, com temperatura agradável e um céu tão azul que ardia os olhos. A poluição daqui nem se compara a de São Paulo, o céu não tem aquela tarja cinza no horizonte e nem o ar fica pesado quando não chove. Ainda não caiu uma gota de água aqui e o ar continua ótimo.

Sai de casa em direção a Belgrado para comprar ingressos para o jogo do River Plate. Peguei o ônibus e dessa vez me enrolei, deixei o ponto passar e me perdi completamente. Fui parar em um bairro chamado Oleros, de classe alta, mas cortado por estações de trem bem populares. Tipo CPTM mesmo. Para voltar, tive que encarar o trem. Ninguém na bilheteria, uma parte da catraca aberta. Peguei e fui achando que por ser domingo era de graça. Mas não era nada disso, tinha que colocar moedas em uma máquina lá e fiquei com o cu na mão quando passou um fiscal olhando para os lados. Depois de três estação, cheguei ao estádio. Me lembrou bastante o Morumbi. Entrada comprada, fui dar uma voltinha pelo bairro, bem charmoso, e segui para a feirinha de San Telmo.

Ônibus aqui é realmente uma beleza, eles não têm nome, apenas número, o que facilita muito. Pelo número da linha se sabe todo o itinerário que aquele coletivo vai fazer, basta ler as plaquinhas do ponto. Depois, para voltar, é o mesmo número, sem trocar nomes. A secretaria de transporte de São Paulo deveria fazer estágio aqui. Os ônibus passam um atrás do outro. O único problema mesmo são as moedinhas, ter que ficar trocando notas toda hora é um saco. Quando o bilhete único for implantado em Buenos Aires teremos um exemplo de eficiência. Tá, outro problema é que os ônibus estão caindo aos pedaços, tem umas carroças dos anos 1970 que dá pena.

A ferinha é de antiguidades e afins, muito grande e lotada de gente do mundo inteiro. Mas o mais legal, pelo menos para mim, foram os artistas de rua. Uma orquestra de tango com cantor, muito boa, e um homem invisível. O cara ficava com a cabeça por baixo da blusa e pôs um chapéu e um óculos sustentados por um arame, ficou perfeito. A impressão é de que é um cara sem cabeça, como ele está todo vestido, com luvas, parece mesmo um homem invisível. Aí tinha um cara que era a estátua do Carlos Gardel e uns tiozinhos iniciantes dançando tango.

Não sou um modelo de consumismo, por isso só consegui comprar uma miniatura da Mafalda para colocar na geladeira. Eu amo a Mafalda. Comprei também uma camiseta, falsa também, da seleção argentina. Fora isso, almocei em um restaurante foda na Rua Defensa, chamado El Desnivel. É um botequinho meio zuado, com toalhas de plástico e talheres meio sujos, mas o bife é de cair o queixo. Comprei uma garrafa de um Merlot por 30 pesos, muito bom. Sai meio bêbado e fui andando até a Praça de Maio. Foi bom ter ido lá, pois com o céu azul e o sol fica ainda mais bonito o centro de Buenos Aires.

Voltei para o hotel de metrô e dei uma bela descansada para me preparar para o jogo. Passou três coletivos, todos abarrotados de torcedores, o motorista nem parava. Fiquei preocupado, mas  o quarto ônibus estava menos cheio e foi lotando no caminho. Quando percebi, estava no meio da torcida do River, o ônibus se transformou em uma arquibancada. Eles cantavam e batiam no teto, chorei de emoção. Nunca passei por nada parecido. O torcedor argentino tem cantos belíssimos, com letras muito interessantes. A paixão com que eles cantam é fantástica. Não dá para comparar, nós brasileiros sabemos jogar, não sabemos torcer. Chega a ser ridículo comparar torcidas como a do São Paulo e do Corinthians com a de Boca e River: as duas estão a anos luz de distância.

Chegando no estádio, um lugar muito bom, com vista perfeita e as arquibancadas quase lotadas. A torcida não para nunca, jamais. É uma festa que arrepia. Quando o River fez um a zero então. Mas perdeu muitas chances e que não faz toma. O número nove, sei lá o nome do cidadão, perdeu três gols feitos. Era um altão. Pensei no meu pai. Se ele estivesse assistindo diria: “Esses grandões não dá. Sabe por quê? O cérebro é muito longe dos pés, demora para chegar a informação. Jogador bom é jogador baixinho”.

O Quilmes, o time adversário, fez o gol no último minuto. A bola entrou, o juiz apitou. A torcida do River continuou cantando mesmo com esse golpe duríssimo (tomar gol no ultimo lance é trágico desde os meus tempos de Paulista de Jundiaí). Depois que o time saiu de campo, aplaudido, ai sim a torcida fez um silencio absoluto. Eu nunca vi isso. Para a torcida do River sair é preciso esperar a do Quilmes, por isso ficamos lá aguardando. Eu nunca vi uma multidão tão grande em silencio. Os caras estavam sofrendo de verdade pela derrota. Aqui acabou com a esperança deles de começar os dias (in)utéis com alguma alegria.

Bom, hora de voltar, ônibus abarrotados, eu sem moedas, nada de taxis. Comecei a andar, andar, andar e fiquei preocupado. Nada de táxi, na verdade ainda tinha outras pessoas com o mesmo intuito que eu. De repente, depois de meia hora de caminhada, um táxi livre. Mas aí, bonzinho, cedi meu lugar para um pai com uma criança bem pequena. Andei mais quarenta minutos até encontrar o taxista. Não deu nem 10 pesos, já estava quase chegando. Minhas pernas viraram pó.

Comi aqui no hotel mesmo, um salgadinho que eu comprei e uma Quilmes. Agora, estou pronto para dormir e amanhã a coisa recomeça com mais intensidade. Depois desse tempo, sinto-me um pouco como um morador que amanhã vai trabalhar. Foram apenas seis dias, mas parece que faz tanto tempo. As horas se arrastam quando se está longe de casa. O tempo, inventado, é mesmo relativo. Parece que faz meses que não te vejo. Se cada dia equivale a um mês, ainda faltam quatro meses para nos reencontramos. Fico aqui só desejando que você tenha um bom começo de semana em São Paulo enquanto eu continuou lhe escrevendo de Buenos Aires. Estou quase pegando no sono. Tchau.

André Toso escreve aos domingos para o Sete Doses

Buenos Aires, 25 de setembro de 2010 (02h46min)

Começo a entender bem a localização dos bairros aqui em Buenos Aires. Hoje passei por diferentes bairros sem gastar nem um tostão de táxi. É muito estratégico estar em Palermo, poucas quadras distante da Avenida Santa Fé. Além da linha verde do metrô, passa tanto ônibus aqui que dificilmente você fica mais de três minutos esperando. Acordei cedo e fui para o bairro de La Boca com apenas um ônibus. O único problema é que os coletivos daqui só aceitam moedas, então é preciso primeiro trocar o dinheiro. A passagem custa 1,25 pesos para a maioria dos trajetos, mas alguns são mais baratos. Quando se embarca é necessário dizer ao motorista para onde você vai e assim ele te cobra o preço correspondente.

Não sabia bem onde descer, por isso, quando avistei o estádio La Bombonera dei sinal. Parei quase na porta e já fui para a bilheteria comprar ingresso para o museu. Gostei bastante de conhecer o estádio, ver como as arquibancadas são coladas ao gramado e imaginar a pressão absurda da torcida, mas é um programa turístico e apresenta o problema duplo de sempre: preços exorbitantes e brasileiros chatos. Puta merda, como somos chatos quando estamos em grupo. Sei lá se é inveja minha por estar sozinho, mas turmas tupiniquins são sempre as mais fanfarronas, querem aparecer de qualquer jeito. Fiquei impressionado como tinha gente de outros países, como Estados Unidos, Japão, França e Alemanha. Todo mundo gosta um pouco do Boca Juniors. Ia até comprar uma camisa do time, mas ela custava absurdos 300 pesos. Preferia mil vezes, é claro, assistir um jogo por minha conta.

Estou percebendo que a conversão aqui não vale muito nestes programas. Uma Quilmes custa 10 pesos, um uísque não sai por menos de 30 pesos e um café chega a custar 11 pesos. Outra coisa que notei hoje é que o segredo é se parecer com um argentino, não parecer turista. Dessa forma, as chances de se divertir sem ser explorado aumentam muito. Por isso, comprei um abrigo da seleção argentina – falso, claro – e resolvi me tornar mais um morador da cidade.

Terminada a visita, que é bacana, mas nada de fantástico como dizem, fui ao Caminito. Aqui sim se sente a Argentina em todo seu espírito. Na verdade, não passa de uma favela estilosa, com os barracos pintados de cores diversas. Até favela na Argentina é charmosa, pois as obras de arte estão por toda parte. Conclui também que um dos segredos desse ar europeu portenho se deve ao L antes dos artigos. Falar que vai a “la Boca” é muito mais chique do que falar que se vai “à Boca”. “La mujer” e não apenas “a mulher”. Las chicas, la Plaza. Tudo fica mais bonito quando se coloca um L antes do a ou do o. Claro que isso é uma babaquice minha.

Andei muito como sempre, vi o Maradona cover, as dançarinas de tango e os gaúchos de botas engraçadas. Em cada esquina um grupo de tango. Resolvi almoçar em um restaurante bem charmoso, com mesas de toalhas de seda na rua e um garçom que era parecido com os do filme do Campanella. A comida era um bosta, pela primeira vez. Mas no palco montado em frente às mesas, um trio de tango mandava ver e o casal, meio desajeitado é verdade, dançava os passos libidinosos do tango. Trata-se do sexo na vertical. O casal se atrai e se retrai, desenhando com os pés todas as insinuações de uma boa preliminar. Foi aqui que senti mais a sua falta nestes cinco dias.

Depois do almoço fraco, que paguei uma fortuna, que ainda foi somada a foto que tirei atracado com a dançarina, fui caminhando pelo lugar e gostei bastante do que vi: é um bairro que expressa bastante o povo argentino, apesar do excesso inacreditável de brasileiros. Para se ter uma idéia, todas as mesas do restaurante eram compostas por mineiros, pernambucanos, paulistas e goianos. Apenas um casal era chileno. Só vendo para crer no tanto de brasileiro que tem aqui.

Quando a tarde já caia, peguei um ônibus para ir até San Telmo. Achei que ia visitar a tradicional feira do bairro, mas ela só acontece de domingo. Mas a viagem não foi perdida: um puta lugar charmoso, com pracinhas e cafés dos mais bacanas. Em uma das praças, uma estátua da Mafalda sentada num dos banquinhos me fez rir sozinho, ainda mais porque uma criança brasileira estava sentada ao lado dela e a mãe, culta como uma parede, dizia: “abraça a menininha, abraça”. Óbvio que ela nem sonhava que aquela era uma das personagens argentinas mais brilhantes já criadas.

Voltei para o hotel com mais um ônibus, fechando a minha conta em 3,75 pesos. Se tivesse feito o caminho todo de táxi não sairia menos que 100 pesos. E, outra, percebi que o lugar mais perigoso para um turista em Buenos Aires é dentro do táxi. Quando cheguei, pregado, deitei-me e esperei sua ligação. Depois que nos falamos, tomei um banho rápido, fui para o metrô e de lá para o bar Thelonius Monk. De acordo com minha pesquisa, o melhor trio de jazz argentino iria tocar por lá. Mal sabia, em minha inocência, que veria um dos melhores shows do gênero de minha vida.

Pela foto na Internet, a casa era bem grande e espaçosa, quando cheguei era mais ou menos do tamanho do Reserva Cultural e não tinha nem uma mesa vaga. Sentei-me no balcão, que atravessa todo o bar. O ambiente é delicioso, com meia luz e um som de primeira. A banda, uns tais de Steban Sehinkman 3, faz um jazz tão moderno que acho que inventaram um novo estilo. É uma mistura dos improvisos dos clássicos do jazz norte-americano com Kraftwerk e, pasme, eletro, daqueles de balada mesmo. O baterista, um débil mental que entra na lista dos três melhores que já vi, debulha os bumbos enquanto uma batida quase de rave invade os acordes suaves do piano. É uma viagem tão grande que dá um nó no cérebro. Os músicos impecáveis e todos bem novos.

No intervalo, uma das coisas mais inusitadas que já tive a chance de presenciar. Primeiro, tenho que explicar que o silêncio durante a apresentação da banda era sepulcral. Em determinado momento, juro, ouvi o chef, lá na cozinha, abrindo a torneira. Isso porque é um bar, como o Teta e outros de São Paulo. A platéia portenha é de uma educação modelar. Aí, quando os músicos pararam para descansar, anunciam uma experimentação. Uma pintora iria apresentar os quadros dela, colocando-os no palco e transformando, por alguns minutos, o bar em museu. Todas as luzes se apagaram, apenas uma luz se acendeu sobre o quadro e a platéia, muda e estática, passou mais de quinze minutos olhando para o quadro. Nem um pio, nem um riso, nem uma tosse. É como se o mundo tivesse parado ali. No começo, tudo bem, depois o silêncio começa a incomodar e, por fim, acostuma-se com aquilo.

Quando terminou a performance da tal pintora, desci para fumar e fiz minha primeira amizade em Buenos Aires. Uma senhora de 70 anos me pediu um cigarro, percebeu que eu era brasileiro e desandou a falar de música, sabia muito, falou de Tom Jobim, de Guinga e de Villa-Lobos. Ela falava tão rápido que, em muitos momentos, não entendia bulhufas. Mas ela era simpática e bastante inteligente e eu devolvia aquelas palavras misturadas com sorrisos e com o sempre útil “si”. Ela era uma boa vovó.

Show encerrado, resolvi ir embora a pé. Buenos Aires te convida a andar. De sábado, as ruas estão cheias, os ônibus continuam passando em grandes quantidades e o clima é maravilhoso. Uma cidade realmente apaixonante que é obrigatório conhecer. Por isso, até o fim de nossas vidas, anote na agenda porque temos um compromisso em terras portenhas. A saudade, hoje, já se transformou em algo mais pacífico. Tenho certeza de que você está me esperando. E você tenha certeza de que logo estou indo. Te amo mesmo.

André Toso escreve aos domingos no Sete Doses

Buenos Aires, 23 de setembro de 2010 (00h58min)

Uma das tantas avenidas largas de Buenos Aires

No terceiro dia de viagem já me sinto sozinho. Morei tanto tempo só, mas depois de me acostumar com a sua companhia fica difícil acordar com a cama vazia e sair por uma cidade desconhecida com pessoas pouco afeitas à conversa. O argentino, apesar de quase sempre simpático, não é muito de bater papo.

Acordei de novo mais cedo do que devia, o que ressaltou um cansaço que me deixou prostrado ao longo do dia. Tomei o café e sai correndo para conhecer a Recoleta, bairro tradicional aqui em Buenos Aires. Andei a pé até o metrô e desci em uma estação mais ou menos perto do bairro. Na verdade, andei muito como todos os dias. Minhas pernas começam a doer de verdade. Preciso descansar um pouco. Essa mania de engolir o mundo acaba comigo.

Muitas coisas interessantes na Recoleta, mas hoje acordei azedo e com vontade de reclamar. Tem tanto brasileiro por aqui que me dá raiva. Quando se sai do País, a ideia é dar um tempo na rotina e fugir. Aqui não: brasileiros por todos os cantos, a maioria deles chatos de carteirinha, reclamando sem razão e fazendo poses artificiais para as fotos. É aquela galera sem grana para ir à Europa, mas que quer aparecer nas fotos de cachecol. Um porre.

A simpática Recoleta esbarrou no meu humor azedo

Mal sabem eles que aqui na Argentina muitos mendigos são mais estilosos e tem gosto mais apurado do que boa parte da elite brasileira. Na Recoleta fui mal atendido, as coisas são exageradamente caras e não existe nada de fantástico. É um bairro tradicional, com história, mas que se rendeu ao artificialismo dos pontos turísticos. O cemitério, tão comentado, é horroroso. As tumbas estão em péssimo estado e cheiram mal. Sobra a fama e a arquitetura dos jazigos. Mas, por mim, demoliria tudo e faria um parque ou uma praça. Sou cada vez mais adepto da cremação e do uso das cinzas como adubo para a agricultura. Seria uma forma de termos alguma utilidade depois da morte.

O cemitério de estátuas bonitas que cheiram cádaver

A melhor parte do meu dia foi na livraria El Grand Ateneo. A mais bela loja de livros que já vi e que provavelmente verei na vida. Parece um teatro, com paredes arredondadas cheias de livros. Existem algumas salas próprias para a leitura e uma infinidade de obras. É incrível como a parte de psicanálise, em todas as livrarias argentinas, é enorme. Percebem-se aí os motivos do país ser o segundo grande reduto psicanalítico contemporâneo, perdendo apenas para Paris. Bateu uma vontade de um dia, quem sabe, fazer um curso breve por aqui. Só que o preço do café e da água é absurdo: 23 pesos pelos dois.

O ponto alto do dia: a livraria que parece um teatro

Com pressa para não perder a hora do trabalho, almocei em um café de esquina da Avenida El Libertador, uma rua larga, com as calçadas cobertas da mesma forma que Bolonha. Pedi um fetutine e uma Quilmes e gastei pouco para comer muito bem. Andei horrores de novo, passando pelo Museu Nacional, pela Praça das Nações Unidas e pela Faculdade de Direito e Ciências Sociais. Parei em uma loja, comprei alguns presentes e voltei para o hotel. Não deu tempo de cochilar, já corri para a feira.

Calçada coberta como em Bolonha

A noite, depois de falar com você no telefone, sai andando por Palermo atrás de algum lugar para comer. No meio do caminho, decidi que iria para Puerto Madeira. Peguei o metrô até a Nove de Julho e de lá um táxi. Quando cheguei, fazia um frio enorme desenhado por ventos cortantes, deparei-me com uma bela paisagem vazia. Não tinha ninguém. A solidão aumentou ainda mais: ando perdido por essa cidade, sem ninguém para conversar e sem muito rumo. Fui andando pela beira do Rio da Prata, restaurantes fechados, tudo quieto. Mais para frente, deparo-me com um único lugar aberto, lotado, um burburinho enorme. Chego à porta. A única língua falada ali era o português. Centenas de brasileiros, conversando sobre assuntos batidos, aquela nova classe média chata que faz sua primeira viagem internacional, é assinante da Veja e vota no PSDB mesmo tendo subido na vida depois dos oito anos do governo Lula. O restaurante é do dono do Porto Rubayat, não parece muito bonito e o preço é revoltante. Vou até um taxista, parado na rua ao lado, e pergunto sobre o estabelecimento. Ele diz que é artificial, uma tentativa de imitar os clássicos argentinos e que a comida está abaixo da média de Buenos Aires, apesar do preço. Percebo ressentimento na voz dele. Os argentinos não aceitam essa invasão absurda de brasileiros. Irrita mesmo. Concordo com ele e me recuso a pagar 200 pesos em um prato argentino feito por brasileiros.

Puerto Madero: vazio e triste como eu me senti essa noite

Pego o táxi de volta a Palermo, paro em uma rua que promete ser uma espécie de Augusta argentina. Muito bacana mesmo: vários bares e baladas alternativas, pessoas interessantes e lugares legais. Entro em um bar e me sinto ainda mais sozinho. A cidade, as turmas conversando e a minha tristeza que não sei de onde surge alimentam uma melancolia que começa a me incomodar. A saudade aperta. Queria até, por incrível que pareça, estar fazendo faxina com você. Tomo dois uísques e duas cervejas. Bêbado, saio andando perdido pela cidade em busca de um táxi que não aparece. Vou a pé para o hotel, quase meia hora de caminhada. Quem disse que um dia em Buenos Aires não pode ser ruim? Espero acordar mais feliz amanhã. A solidão me engoliu completamente nesta quinta-feira gelada. Acho que faz parte de uma viagem solitária de dez dias.

André Toso escreve para o Sete Doses aos domingos

 

 

Buenos Aires, 22 de setembro de 2010 (01h29min da manhã)

Café e medialunas o dia inteiro

Hoje acordei mais cansado do que quando dormi. Desci para tomar o café e comi basicamente croissants, que aqui eles chamam poeticamente de medialunas, e ovos mexidos, que, como você bem sabe, é meu prato matinal predileto. Consegui um mapa muito bom do bairro de Palermo, mostrando todas as ruas e divisões. Descobri que estou em Palermo Viejo, mas bem próximo de Palermo Soho e de Palermo Hollywood. É uma região de classe alta, meio que um Jardins argentino, com mais charme e bom gosto. É incrível como a elite daqui é mais refinada: fizeram estágio na Europa.

Nada de táxi. Decidi que vou explorar a cidade como um morador sem carro. E funciona. Pela manhã, resolvi visitar os chamados Bosques de Palermo. Extraordinário. Circundando toda a larga Avenida Sarmiento, bosques, parques, jardins botânicos e o Zoológico. É muito verde, por todos os lados. Só nesta parte da cidade existem mais lugares para fazermos piquenique do que em toda a cidade de São Paulo. Na calçada, uma ciclovia e árvores e mais árvores. Nas ruas, monumentos gigantescos e belíssimos brotam do asfalto nos lembrando que não estamos em uma cidade e sim em um museu. Andei horas por essa parte até chegar ao jardim japonês.

A estátua que brota do asfalto

Nem preciso dizer que fui visitar esse jardim por sua influência indireta. Devo a você a descoberta da cultura oriental e dos prazeres do contemplar sem muito falar. Paguei oito pesos e deveria ser mais caro. Enquanto caminhava, me peguei tateando o nada em busca de suas mãos: era mesmo para você estar aqui. Vi carpas rasgando a água parada dos rios e pontes arredondadas, flores de todas as cores e tipos, além de crianças. Aliás, elas estão me perseguindo. No Jardim Botânico, poucas horas antes, uma enxurrada de crianças parou em frente ao banco em que eu estava sentado lendo um livro. Resolvi que leria “O Jogo da Amarelinha”, do Julio Cortazar, a cada parada em Buenos Aires. Mas é um livro difícil e as crianças não me deixaram ir além do terceiro capítulo.

A ponte japonesa do Jardim Japonês

Na volta, comprei alguns presentes para você e parei em um restaurante típico argentino chamado Gardelitos, com tango de trilha sonora e flâmulas do Boca Juniors em todas as paredes. Aqui tive a primeira experiência gastronômica inesquecível da viagem. Comecei com uma salada simples de entrada, pedi uma taça de vinho e depois fui para uma carne com batatas ao molho de mostarda. Foi a melhor carne bovina que comi em toda a minha vida. Depois do café, sai do lugar pisando em ovos, levemente alterado pelo álcool. Em poucos minutos de caminhada, conclui que Buenos Aires é uma cidade para se andar com um cigarro entre os dedos. Quem não fuma, ao chegar aqui, deveria pensar seriamente em aderir ao vício. Lembrei-me, também, que havia esquecido de pedir a nota para depois ser reembolsado.

Cheguei ao hotel e decidi que deveria fazer uma sesta para ir trabalhar com mais fôlego. Após as experiências pelas ruas de Buenos Aires, uma cidade que sufoca de tão apaixonante, enfurnar-se em palestras e feiras é ainda mais difícil. Dormi quarenta minutos e percebi o bem que a liberdade pode proporcionar. Dormi porque quis e foi a melhor decisão: minha produtividade aumentou consideravelmente.

Depois do trabalho, cheguei ao hotel, tomei um banho e já sai para jantar. Fui a um restaurante chamado Casa Cruz, em Palermo Soho. Carpete de oncinha, sofás de camurça e Beatles como trilha sonora. Garçons vestidos como frequentadores do Studio SP e decoração cult. A porta do restaurante é dourada e gigantesca, a impressão é de estar entrando em uma balada. Não fiz reserva, por isso esperei uma hora enquanto tomava um vinho. O lugar é chique, mas não é fresco. Um pouco parecido com o Spot, mas pelo menos dez vezes melhor.

O tapete de oncinha e meu pé

Tudo muito demorado. Reclamei, assim como você faria. O garçom, gentil, me disse que eram pratos complicados e de difícil execução, por isso a demora. Quando chegou a entrada entendi o que ele quis dizer. Pasta de lombo com mascarpone e mais alguns ingredientes que não consegui identificar. Quase caí de joelhos. Estava diante de uma obra de arte efêmera, que iria se tornar cocô pouco tempo depois. E, antes que me esqueça, preciso falar do vinho. Pedi um Chardonnay chamado Lindaflor. Sério, o cheiro era inacreditável. É o melhor vinho que já tomei na vida. A vontade era passar um pouco atrás das orelhas, como perfume. Depois, comi cordeiro e pedi um Merlot, que parecia xixi se comparado ao primeiro vinho. Tomei um café e quase cai para trás quando veio a conta. No momento em que, nos meus pensamentos, transferi para reais percebi que havia sido muito suave diante da qualidade da comida. Buenos Aires, para os brasileiros, é um eterno Restaurant Week.

Queria elogiar mais o restaurante para o garçom, mas não conseguia me pronunciar muito bem. É incrível como uma língua que você não domina lhe deixa fragilizado. Em português, com os maneirismos e gírias, é possível criar uma barreira de proteção para o que realmente somos e, dessa forma, parecer alguém interessante e confiante. Quando falta vocabulário você se desnuda e ficam escancaradas sua timidez e incapacidade. Cai a máscara.

Li uma entrevista do Roberto da Matta na Trip em que ele dizia que andar de carro sozinho em São Paulo é parecido com aqueles reis que eram carregados pelos seus escravos. Comer em um restaurante como esse é um pouco parecido: parecia que eu era um rei entronado servido por meus súditos. Como todos nós somos um pouco sádicos, gostei bastante da experiência. Dá para se entender bastante o ser humano daí. Como é bom ser o centro das atenções e ter pessoas para lhe servir com presteza.

Fiquei três horas no restaurante. Depois de mais um café, sai fumando pela rua, meio perdido. Lembrei-me que havia esquecido, de novo, de pedir o recibo. Dessa vez deu tempo de voltar. Aí fui andando para o hotel, uns vinte minutos. A cidade vazia, a lua cheia e a melodia que cantamos nessa ocasião quando estamos juntos na minha cabeça. Cansado e sozinho, como ficarei todos esses dez dias sem ter você aqui. Eu e Buenos Aires.

André Toso escreve aos domingos para o Sete Doses

A Casa Rosada no cair da tarde

Buenos Aires, 21 de setembro de 2010 (02:15)

O vôo foi mais conturbado que o normal. O céu estava limpo, azul forte, quase sem nuvens. Mesmo assim o avião passou por turbulências durante as quase três horas em que eu fiquei com os pés fora do chão. É incrível como toda viagem é igual: sanduíche de plástico, a voz padronizada da aeromoça e todas as pessoas com um medo secreto que se percebe pelo olhar. Esse temor, aliás, é a única coisa autenticamente humana de uma viagem de avião.

Quando cheguei ao aeroporto já percebi de cara que Buenos Aires, de certa forma, é uma cidade mais desenvolvida que São Paulo. Mas o processo parece se inverter: a primeira pessoa que me atendeu – comprei dois potes de doce de leite pensando em você e também em trocar cem pesos – era uma brasileira, a primeira de muitas que encontraria nesse primeiro dia. Somos uma praga em Buenos Aires, estamos em todos os lugares. Às vezes parece que tem mais brasileiro aqui do que argentino. Temos dinheiro para gastar, como eles tinham no começo dos anos 1990 para visitar as praias de Santa Catarina.

Do lado de fora do aeroporto, pensei em pegar um táxi ou um ônibus fretado. Os dois, porém, eram mais caros do que o justo e decidi enfrentar o coletivo. Com um peso e vinte centavos fui para um local completamente desconhecido. No caminho, em uma viagem que durou quase duas horas em um ônibus incrivelmente velho, percebi que as bandeiras argentinas tremulam por todas as partes e que a recente crise assolou os bairros de periferia. Pobreza como a brasileira. Normal: como em qualquer país subdesenvolvido a maioria das pessoas se ferra. Cartazes do filme do Lula e propagandas da Brahma me chamaram atenção para a influência que o Brasil começa a exercer. Somos os futuros imperialistas da América do Sul; as histórias sempre se repetem.

Claro que me perdi, não fazia ideia de onde estava e uma velhinha me ajudou, desceu comigo e me levou até o ponto para pegar o ônibus certo. Mas sério, era tão velha que nem sei se chegou viva em casa. Consegui, depois de duas horas, chegar ao hotel. Bem modesto, sem nada para se destacar, a não ser o tamanho enorme, com sala, quarto, banheiro e uma cozinha dispensável. Tão pequena, aliás, que nem conseguiríamos cozinhar muita coisa. Lembra um pouco a cozinha do 1818, mas menor. O chuveiro faz um barulho sibilante ensurdecedor, o boxe inunda e as toalhas fedem.

Cheguei ao quarto, guardei tudo e sai em direção ao Obelisco. Para não ser um turista da CVC, peguei o metrô – podre, velho, mas eficiente – e cheguei na Avenida 9 de Julho. Tive um choque tão grande que não consigo me expressar. O lugar mexeu comigo de um jeito esquisito, parecido com a primeira vez que vi São Paulo. A avenida é larga. Todo mundo sabe. Mas só vendo ao vivo para se ter noção. Essa região de Buenos Aires é muito mais bonita e charmosa que Milão, por exemplo.

Andei muito pelo centro, horas e horas. Por todos os cafés que passava me lembrava de você: em todas as esquinas um novo café. Lugares tão charmosos que a vontade é ter uma overdose de cafeína, nem dá tanta vontade de tomar cerveja. O café, o cigarro e o flanar são as três peças fundamentais dessa cidade que transpira cultura como eu nunca vi. Em Buenos Aires basta caminhar para ser um visitante feliz. Quem mora aqui, percebe-se pelas expressões, nutre um misto de amor e ódio parecido com os paulistanos. A capital argentina tem todos os problemas de São Paulo, com uma diferença: é uma cidade construída para proporcionar beleza. Pelo menos nesta área a arquitetura foi pensada como manifestação cultural e poética. Não se buscou apenas a eficiência ou a resolução de problemas: a cidade foi erguida por pessoas com bagagem cultural, que com certeza se interessavam por literatura, por música, por moda, por cinema. Que se interessavam pela beleza.

O Café Tortoni: fila para entrar, mas vale a pena

Essa é a grande diferença de Buenos Aires para São Paulo. A formação cultural já está solidificada, o que faz com que eles ressurjam de uma crise arrasadora com a mesma elegância de outros tempos. A cidade, intacta de beleza, é culturalmente inatingível. É um museu a céu aberto que resiste bravamente ao conservadorismo e aos desajustes mentais dos homens de poder. Na Casa Rosada, enquanto por lá eu passeava, de repente, centenas de jovens argentinos invadiram as ruas cantando e empunhando faixas de protestos. Não eram vagabundos, eram trabalhadores que depois de seus trabalhos, em plena terça-feira, foram reclamar por seus direitos. Arrepiei-me com a cena, até filmei. Aquilo era tão sincero. No cair da tarde, na cidade mais fantástica que já tive a oportunidade de conhecer – arrisco dizer mais do que Bolonha – tomei mais um café, pensei um pouco mais em você e voltei acabado para o hotel com a intenção de te ligar e você me atender.

Em Buenos Aires, todo dia é dia de protestar

Termino escrevendo essa primeira carta, que espero continue. É uma forma de você também estar aqui comigo e compartilharmos essa experiência maravilhosa de descobrir um lugar, de andar pelas ruas com olhar puro e até meio bobo e idealizado. Viajar é voltar a ter aquele olhar da criança, em que tudo parece extraordinário, tudo parece meio mágico. É como quando te conheci e as coisas ganharam uma nova cor. Quando conheci Buenos Aires senti algo bem semelhante. Sinal claro de que estou apaixonado pela cidade como descubro que continuo apaixonado por você.

Algumas dicas de visita:

Obelisco e outros monumentos do entorno – Avenida Nove de Julho

Casa Rosada – Praça de Maio

Café Tortoni – Avenida de Maio, 825

Casa da Cultura – Avenida de Maio, 575

Palácio Barolo – Avenida de Maio, 1300

Teatro Colón – Cerrito, 618

Teatro Municipal San Martin – Avenida Corrientes, 1530

Paseo La Plaza – Avenida Corrientes, 1660

Obs: para chegar ao centro de Buenos Aires você pode descer nas Estações Tribunales, Nove de Julho ou Catedral, todas da linha verde do metrô. Na estação Nove de Julho e Catedral rola uma baldeação com outras linhas. Para ir do aeroporto para o centro sem gastar quase nada é só pegar o ônibus número oito. O único problema é que precisa pagar a condução com moedas. Outra alternativa é comprar em qualquer lojinha do aeroporto um cartão que você carrega, tipo um Bilhete Único.

André Toso escreve aos domingos para o Sete Doses

Alessandro Ziegler inserta sus dibujos todo el jueves en los siete dosis…     después de una noche del tango en Buenos Aires.